28 de maio de 2026
Adriano de Aquino

Por que a fala de Victor Davies Hanson é importante?

É importante porque resgata o pensamento bem abalizado teórica e historicamente sobre a democracia americana e dilui o castelo de areia das narrativas progressistas.

É importante também porque coloca no lugar certo o termo ‘revolução’ – termo que leva ao êxtase a militância woke progressista global que transita pelos bares do Soho, Tribeca, Baixo Gávea e Vila Madalena, com ares de revolucionário, empenhado nas causas de gênero, etnias, aborto, multiculturalismo estúpido e hostil aos cristãos e seus valores e tradições, aplaudindo a queima e destruição de monumentos históricos e obras de arte nos acervos de museus e adepta de uma teologia ‘auto flagelante’ que pode ser resumida assim: a cultura ocidental tem que ser punida pela dor e sofrimento que historicamente impôs aos povos da África,Oriente Médio, as baleias e aos ursos polares.

Tudo isso com os bolsos lotados de dinheiro herdado dos pais que enriqueceram enquanto eles não eram sequer projetos embrionários. Embriões que ganharam vida embalados em berços no estilo colonial sob a tutela de uma governanta inglesa e adolescentes que tiveram curadoria cultural de mordomos refinados, agora, exemplares do ativismo socialista retórico que não ameace seu enorme patrimônio financeiro. O que parece apenas uma contradição é na verdade uma projeção social auto protecionista.

Ainda que esses grupos atuem nas franjas das elites financeiras e culturais – não calem fundo no coração e mentes dos populares- ao replicarem as investidas uníssonas dos poderosos grupos de comunicação em apoio a lideranças políticas cooperativadas, elas parecem -apenas parecem- um clamor da opinião pública.

É importante também porque contextualiza a fala e posições de alguns dissidentes do Partido Democrata que nos últimos quatro anos entraram em choque com a liderança partidária, romperam com o governo Biden e hoje estão nas trincheiras republicanas.

Como é o caso de Robert F Kennedy, Tulsi Gabbard e outros que agora ocupam cargos de alta relevância no governo Trump.

Lembro com clareza da fala do Robert Kennedy ao sair de uma reunião com o alto comando da campanha do Trump. Na ocasião ele disse que as diretrizes de governo, apresentadas pela equipe do candidato é uma “revolução” na política americana. Hanson responde a ele e a muitos outros: “é uma contra revolução”.

É um processo de reversão da insanidade revolucionária replicante dos ‘irmãos’ Robespierre.

Hoje, no Brasil a fusão Robespierre/Torquemada está no apogeu. Algumas pessoas dizem, milhares torcem, que a fusão suba o cadafalso, como ocorreu com o ‘revolucionário’ Robespierre. Nos
EEUU, assistimos a uma reedição apurada das batalhas dos Republicanos contra os insurretos Democratas confederados por conta da longa controvérsia sobre a escravidão que eclodiu na guerra da Secessão(1861).

Poucos dias após o republicano Lincoln ter tomado posse como Presidente dos Estados Unidos os secessionistas dos Estados Confederados do Sul, que defendiam os direitos dos estados em manter a escravidão, atacaram Fort Sumter, na Carolina do Sul.

Quem eram os revolucionários?

Em ‘A Democracia na América’, Tocqueville, reflete e nos induz a pensar sobre os problemas da humanidade – em especial da França – ainda traumatizada pelos “excessos” de sua revolução.

Em um pequeno trecho da última edição revista por ele, caracteriza as fundações da democracia na América assim: “Todas as colônias inglesas tinham, entre si, na época do seu nascimento, extraordinárias semelhanças. Todas, desde o princípio, pareciam destinadas a oferecer terreno propício ao desenvolvimento da liberdade; não a liberdade aristocrática de sua pátria, mas a liberdade burguesa e democrática, de que a história do mundo de nenhum modo apresentava ainda um modelo completo”.

É essa Democracia, sólida, estável e longeva que a apologia de Hanson sublinha com ênfase nesse reel.

É essa mesma democracia que os históricos federalistas de outrora traduziram como o ‘Estado da União’ que, hoje, nos discursos anuais ‘O Estado da Nação’ – os presidentes eleitos declaram seu compromisso com as liberdades civis e suas propostas de governo ao Congresso dos Estados Unidos.

Revolução o escambau! Isto é uma contra-revolução

Adriano de Aquino

Artista visual. Participou da exposição Opinião 65 MAM/RJ. Propostas 66 São Paulo, sala especial "Em Busca da Essência" Bienal de São Paulo e diversas exposições individuais no Brasil e no exterior. Foi diretor dos Museus da FUNARJ, Secretário de Estado de Cultura do Rio de Janeiro, diretor do Instituto Nacional de Artes Plásticas /FUNARTE e outras atividades de gestão pública em política cultural.

Artista visual. Participou da exposição Opinião 65 MAM/RJ. Propostas 66 São Paulo, sala especial "Em Busca da Essência" Bienal de São Paulo e diversas exposições individuais no Brasil e no exterior. Foi diretor dos Museus da FUNARJ, Secretário de Estado de Cultura do Rio de Janeiro, diretor do Instituto Nacional de Artes Plásticas /FUNARTE e outras atividades de gestão pública em política cultural.

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