5 de março de 2024
Walter Navarro

Sossego e um quilo de bom


Juro que nasci em 1962 e não tive culpa.
Em 1963, mataram John Kennedy, mas meus pais esconderam de mim.
No famoso março de 1964, provavelmente ainda usando fraldas, confesso que não entendia muito de política.
Em 1966, ao quatro anos, sem fraldas, ainda entendia muito pouco de política, economia, neurocirurgia e astronomia.
O bicho pegou foi em 1968, o ano que não terminou, segundo me avisou o Zuenir Ventura. Mas, me contaram que tivemos as pedras quebrando no Maio da França e o pau comendo com o AI-5 no Brasil. Para mim, eram jujubas coloridas.
Infelizmente, em 1969, eu nem sabia o que era mulher. Nem Woodstock! Muito menos que o homem foi à Lua, achou um tédio e voltou.
Em 1970 o Brasil foi Tri no México.
Mas fiquemos só na Maldição do 8. Por que? Porque em 1968 aconteceu muita coisa além de Maio na França e AI-5 no Brasil. A Guerra do Vietnã estava no auge de sua selvageria. Assassinaram Martin Luther King e Robert Kennedy, irmão daquele John de 1963. Aconteceu a Primavera de Praga e Nixon foi eleito. Infelizmente, por ignorância e falta de interesse, em 1968, também ignorei a Independência das Ilhas Maurício. Nunca me conformei!
Em 1978, tivemos três Papas: Paulo VI, João Paulo I e João Paulo II. No Ano da Peste, uma greve pariu Lula, aquele babaca que está preso. Nasceu o primeiro bebê de proveta, Louise; Jim Jones matou meio mundo na Guiana e o MAM do Rio, antecipando Notre Dame, virou cinzas. A Argentina roubou a Copa do Mundo em Casa e teve a novela Dancin Days. Pra ser sincero, marcante mesmo, foi meu Guarani (de Campinas), Campeão Brasileiro, porque eu estava lá, no estádio Brinco de Ouro da Princesa do Oeste.
Aqui a decadência do 8 começa. 1988 teve grandes coisas não. Ayrton Senna ganhou seu primeiro título na F1 e Chacrinha foi-se com a foice. Teve aquela bobagem da Constituição que faz merda até hoje e mataram Odete Roitman, que acabou morrendo. Nem vi porque eu estava no penúltimo semestre de Jornalismo e Publicidade na PUC de BH.
1998? Fala sério! Bye bye Sinatra, pronto e ponto.
Para 2008, prefiro copiar o rei Louis XVI que, depois de uma caçada, anotou em seu diário, sobre o 14 de Julho de 1789 e da Revolução Francesa: “Rien” (Nada).
Finalmente 2018, onde eu queria chegar.
2018 como 1968 ainda não acabou e exala um forte perfume de 1964.
Em 1968, tivemos o general Mourão, saindo de Juiz de Fora, sempre Minas… Saindo e engatando a primeira no regime militar. Em 2018/19 também temos um general Mourão, como vice-presidente de um capitão.
PS: Agora, não precisamos de 2028, nem de general ou capitão. Para mim e para acabar a palhaçada; bastam um cabo, dois soldados e um Jeep. Democracia é bom, mas todo dia enjoa.

Walter Navarro

Jornalista, escritor, escreveu no Jornal O Tempo e já publicou dois livros.

Jornalista, escritor, escreveu no Jornal O Tempo e já publicou dois livros.

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