Os Democratas de Papel Machê


Os correligionários da Burrice Generalizada e da Desonestidade Intelectual que perderam a máscara, na suruba de 2018, obrigam-me ser repetitivo.
Então, hoje, pratico simples exercício de memória, lambendo 2019.
Os dias eram assim? Pois é, hoje são assim.
Quem quiser viajar comigo, durante 37 anos, ótimo. Quem não quiser, tudo bem. Pode ir chupar meia de maratonista com micose ou retomar uma atividade normal.
Como trilha sonora, Billie Holiday.
Em março de 1964, eu tinha 1,5 ano de idade.
Em 1981, aos 19 anos incompletos, passei no vestibular da Fuvest e fui estudar História, na UNICAMP, em Campinas.
Queria ser diplomata.
Por isso, no final do ano fui para a França, pela primeira vez, aprender francês; em intercâmbio de dois meses; um em Paris, um em Toulouse.
Passei cinco dias e o Réveillon em Londres e, dia seguinte, 1º de janeiro de 1982, Paris.
E gostei da primeira França socialista. François Mitterrand, depois de três tentativas, foi eleito presidente. Paris era uma festa vermelha. Deu no que está dando.
Dia 19 de janeiro, Elis Regina morreu.
O intercâmbio acabou em fevereiro. Meus colegas voltaram para o Brasil e fiquei mais dois meses.
Em março continuei em Paris. 15 dias com a família Loiseau, num bucólico subúrbio e outros 15, num bairro chique de Paris (16e), com a família Fruchard.
Nesta segunda família, como na primeira, nada de televisão. Depois do jantar as duas crianças, Quentin e Charlotte liam Astérix e eu bufava e gaguejava com os pais, Marie-Annick e Guy.
Uma noite me mostraram “slides” da lua de mel deles, em Siracusa, na Sicília, Itália.
Gostei tanto que, em abril, comprei um passe de trem e caí na estrada de ferro, sozinho.
Resumindo a ópera, de Paris, pingando aqui e acolá, dormindo no trem, parei em Nápoles, visitei Pompéia e Herculano. De lá fui para Siracusa, depois, Corfu, já na Grécia. A viagem acabava rapidamente como as coisas boas da vida.
De Atenas, com uma puta febre, fui subindo e atravessei toda a ex-Iugoslávia comunista, até escapar de lá, chegando à Veneza. Depois, Bruxelas, na Bélgica, Paris e Brasil.
Naqueles idos, com pressa, contando as horas da validade do passe, febril, não tive tempo nem de apreciar a paisagem.
Mas guardei duas impressões muito negativas do comunismo. A primeira foi a desonestidade. Fui extorquido, com sarcasmo, na embaixada da Iugoslávia para conseguir o visto e cruzar todo o país.
A segunda impressão foi mais chocante: a miséria. Naquela longa jornada noite adentro, os iugoslavos, paupérrimos, tinham permissão de ir até a fronteira da Itália, para comprar, imagino, o que conseguissem. No trem lotado, doente, viajei toda a madrugada gelada em pé, entre um vagão e outro. Até galinha viva vi lá dentro. Cheiro e sujeira insuportáveis por todo lado.
Lembro-me da alegria de avistar, ao longe, as primeiras casas coloridas e descascadas na Itália; diferença maravilhosa e gritante da miséria e do cinza iugoslavos.
Voltei, larguei o curso de História, chatíssimo; fiz outro vestibular e, na mesma UNICAMP, comecei o curso de Economia.
Tudo isso, para contar por quê, em 1982, pela primeira vez, pude votar, ato até então proibido pelo regime militar.
Todavia já sentíamos no ar um odor da Abertura, começada com o general Ernesto Geisel e concretizada pelo general João Figueiredo, como prometido. Daí, sua famosa frase: “”É para abrir mesmo. E quem quiser que não abra, eu prendo. Arrebento. Não tenha dúvidas”.
Na verdade, os generais já estavam de saco cheio do “phoder”. Se quiserem, no Youtube, tem ótima entrevista de Figueiredo concedida ao Alexandre Garcia, onde o general, sem citar nomes – mas morrendo de vontade – diz que a única palavra que ele nunca ouviu dos políticos, durante seu mandato, foi “Brasil”. Os vagabundos de sempre só se atreviam ir a ele para pedir benesses, jamais repensar e refundar o país.
Sempre na UNICAMP, cheguei a afrontar e até ridicularizar um professor militar – muito comum à época – que nos ministrava ridículas e entediantes aulas de OSPB (Organização Social e Política Brasileira) ou coisa parecida. Desde 1969, OSPB e Educação Moral e Cívica eram disciplinas obrigatórias.
Neste contexto foi que, em 1982, votei pela primeira, única e última vez em Lula e no PT.
Na UNICAMP, todos éramos mais vermelhos que a calcinha da minha vizinha do 802.
Era verdadeira lavagem cerebral. Eu vivia no DA, Diretório Acadêmico; desde sempre, valhacouto de vagabundos esquerdistas como eu era.
Até hoje tenho um cartaz procurando os “Desaparecidos”. Um monte de fotos em P&B de quem tinha sido sumido pelos militares; entre eles Rubens Paiva, pai do Marcelo Rubens Paiva.
Em 1982, o voto era vinculado. Quer dizer, éramos obrigados a votar nos candidatos de um só e mesmo partido: governadores, senadores, deputados federais e estaduais.
Oligocéfalo e acéfalo, entre a cruz de Maluf e a caldeirinha de Lula, votei no segundo, porque o primeiro já tinha fama de ladrão, kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk.
Mal sabíamos que, 20 anos depois, os Irmãos Metralha seriam amigos de infância e que, perto de Lula, Maluf, hoje, seria um reles trombadinha.
Está no dicionário informal. Malufar: “O supra sumo da Lei de Gérson aplicado à gestão pública. Neologismo que significa esperteza, no pior sentido, a malandragem mais descarada, a roubalheira associada ao empreendedorismo do político.
É o salvo-conduto para a safadeza”.
Ganhou o governo de São Paulo, Franco Montoro, kkkkkkkkkkkk.
Nesta lama toda, a meu favor, o fato de que ninguém sabia quem era Lula, nem o PT. Eram virgens no bordel. Nunca haviam roubado porque nunca tinham estado no poder.
Mas pouco depois, com os primeiros políticos eleitos, já em 1983, percebi a formação de quadrilha que era o PT e nunca mais! “Never e jamais”.
Desde então, coerente, quero que Lula, PT e petistas se fodam! Aos poucos, meu sonho vai se realizando…
A coisa ficou feia para o meu lado em 2002. Naquele ano e sequentes, apenas dois jornalistas alertavam sobre Lula, detonavam o PT et caterva: eu e o Diogo Mainardi.
A grande diferença é que eu escrevia em BH e ele na Veja, de São Paulo, para todo o Brasil. Hoje está “exilado” sob o manto da Globonews, na mesma e supracitada Veneza que nunca mais revi.
Assim, desde 2002, como o pão que Lúcifer amassou com a bunda.
Perseguição, demissões, processos e todas as delícias que vieram e vêm na esteira desta trinca.
Enfim, depois de tão suculenta prolixidade, chego à Estação Finlândia.
Em todos estes anos tenebrosos de PT, nunca briguei com amigos petistas e principalmente eles nunca brigaram comigo. Viam-me como um náufrago louco e esquálido numa ilha deserta.
Tratavam-me a migalhas, alpiste. Eu era um bicho exótico soltando palavras ao vento. Em suma, eu era tão risível quanto suportável e indefeso. Um coitado vira-latas. O bloco do eu sozinho.
Mas aí, chegou o Capitão…
E passei de palhaço a vilão fascista, monstro do Lago Ness e da lagoa Negra; lobisomem. Uma ameaça digno de toda a ira do Irã.
Pergunto: cadê a porra da tão cantada democracia?
Cadê o revezamento salutar no poder, caralho?
Quer dizer que quando o PT ganhava uma eleição atrás de outra, roubando até de ladrão, o Brasil estava certo, era enfim, uma verdadeira e forte democracia.
Hoje, ao lado de 58 milhões de brasileiros, sou golpista e nazista.
Só não envio para a PQP porque vão matar saudades da mãe.
PS: Um petista e um ser humano caem do alto de um mesmo prédio. Quem se espatifa primeiro no asfalto selvagem? O ser humano, claro. O petista vem quebrando as janelas, roubando as cortinas, cagando na fachada…
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