19 de maio de 2024
Walter Navarro

Os anos mais novos do passado

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Para cada Fidel Castro, quatro David Bowie, Prince, Leonard Cohen e George Michael.
Os bons estão em desvantagem ou em maior número? Vaso ruim, mesmo os piores da Dinastia Ming, não quebra? Vai ver foi apenas mais um capricho de 2016! Veremos.
Como será 2017 e como foi 2015?
2017 ninguém sabe, apenas espera-se que não seja uma reprise dos “melhores momentos” ou um 2016 – II; nem que um piano e o céu caiam sobre nosssas cabeças…
Façamos um exercício do que foram os anos terminados em 7 e em 5, aqueles entre o 6 do 2016, de sinistra memória; de dez em dez anos.
2015: Em janeiro, fevereiro e março, quase morri, depois de 2,5 meses num CTI, com pneumonia, etc… Desastre ecológico, criminoso e de tudo em Mariana. Atentados terroristas em Paris, onde passei o Révéillon, um mês depois. Morreram Zé Bonitinho e a bonitona Betty Lago. Cláudio Marzo, enquanto eu estava internado; Fernando Brant, que fazia aniversário comigo, dia 9 de outubro e a perácea Marília Pera. Dr. Spock Orelha, B.B. King Stone e Omar Sharif que vi num carnaval no Copacabana Palace.
2007: O avião da TAM em Congonhas. Renan Calheiros escapa do primeiro grande escândalo, o da Mônica Veloso. Escapa não,  contorna, adia. Morrem o melhor Luciano Pavarotti, a grande dama do teatro, Paulo Autran; o único Painho ACM, o brasileiro Enéas e italiano “Blow Up”, Michelangelo Antonioni.
2005: Estreando no poder, a piada Evo Morales e a dama de aço, Angela Merkel! Furacão Katrina e Mensalão (hoje, dinheiro de cachaça). Morrem Miguel Arraes avô do Guel da Globo; Ronald Golias da Globo e outros Davis, Clóvis Bornay de todos os carnavais; o príncipe Rainier que reinou sobre Grace e o Papa João Paulo 2 que vi por acaso, em 1982, em Roma, mentira, Vaticano.
1997: Guga ganha o primeiro Roland Garros. Morre a princesa Diana. É covardemente assassinado Galdino, o índio Pataxó. Morrem também o protetor dos índios, Darcy Ribeiro; o caranguejo Chico Science, Paulo Francis, com P de Petrobras; o criador da criatura Globo, Walter Clark e Madre Teresa de Calcutá.
1995: Começou a rarear. Depois de quase seis anos em Paris, finalmente, em final de 1995 volto ao Brasil, por isso, nem fiquei sabendo que foi o ano da Internet no Brasil, da morte de meu ídolo máximo Costinha (e sua bichinha), da morte de Paulo Gracindo e seu Odorico, Ibrahim Sued e seu dicionário. Sorry, periferia!
1987: Meu segundo ano em Jornalismo na PUC/MG. Glasnost e Perestroika de Gorbachev na União Soviética. Sarney, ainda sem comentários. Goiânia: Césio 147… Piquet tricampeão na F1. Morrem Drummond de Itabira, do mundo e de Minas Gerais, o dono da raça, Gilberto Freyre; o Gênio da Raça,  Golbery do Couto e Silva; a raça puro sangue Rita Hayworth; o rótulo Andy Warhol e o rotulado Fred Astaire.
1985: Entro na faculdade de Jornalismo, na PUC/MG, Belo Horizonte, voltando a Minas, depois de 14 anos em Campinas (SP). Acaba o período militar com a eleição indireta de Tancredo Neves, contra Paulo Maluf. Morre Tancredo, filho de Minas e das Diretas Já; deixando-nos como Herança Maldita, Sarney. Rock’n’Rio. Morrem o cidadão Orson Welles, o viadão Rock Hudson, o gaúchão Médici e russão Chagall.
1977: Com 15 anos, sou atropelado em Campinas, dia 7 de março, por um Corcel I, quebro a tíbia e o perônio, a caminho da aula de Educação Física no Colégio Progresso Campineiro. Geisel presidente aqui, Jimmy Carter nos Estados Unidos. Lei do Divórcio! Sítio do Pica Pau Amarelo e Os Trapalhões. Elvis não morreu, OK! Mas foi enterrado. Morrem o chato do Chaplin, a trágica Maysa, a perfeita espectadora Clarice Lispector e José Carlos Pace, piloto de F1 de quem pouco se lembra/se fala.
1975: O estado da Guanabara e o Rio de Janeiro se f… Se f… fundem! 10 anos da Rede Globo. Herzog “suicidado”, choram Marias e Clarices. Independência de Angola e do Suriname. Morrem Ranieri Mazzilli, avô do Marcelinho; Pasolini, com requintes de Saló ou 120 Dias de Gomorra; General Francisco Franco, Guernica para os íntimos; Érico “Luiz Fernando” Veríssimo, Hannah “Banalidade do Mal” Arendt, Plínio Anauê Salgado e a deliciosa e casamenteira Adriana Prieto, aos 24.
1967: Já não é comigo porque eu só tinha cinco anos de idade, mas vamos lá: Guerra dos Seis Dias de Israel contra a Rapa. Morte da tripulação da Apolo I. Sgt. Pepper´s Lonely Hearts Club Band, dos Beatles. Morrem o montanha mágica, Anthony Mann; John Coltrane que fumava unzinho; Edward Hopper que pintava, bordava e descobria a América; o presidente sem pescoço, Castelo Branco e, no dia do meu aniversário, 9 de outubro, na Bolívia, Che Guevara.
1965: Guerra do Vietnã. Primeiro Festival de Música Popular Brasileira. Nascem a Rede Globo, Arena e MDB – os dois últimos deveriam ter morrido no parto. Morrem: T.S.U.V.X. Eliot, V.W. Churchill, Nat King L.M.N.Cole, Malcolm X.Y.Z e Stan Laurel o magro do Gordo e o Magro.
PS: O João Marcelo Bôscoli (Elis & Ronaldo) foi o único a sacar que George Michael morreu de tristeza. Agora, já falam em heroína. Vamos resumir com Renato Russo? “Parece cocaína, mas é só tristeza”.

Walter Navarro

Jornalista, escritor, escreveu no Jornal O Tempo e já publicou dois livros.

Jornalista, escritor, escreveu no Jornal O Tempo e já publicou dois livros.

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