Olhe aqui, Senhorita Simpson


Este poema é dedicado a uma inglesa simpática, extrovertida, bonita, gostosa e podre de rica, em cuja casa, estive poucos dias antes de minha volta ao Brasil, depois de seis anos em Paris. Ela tinha 59 anos, com corpo de 36,5. Casada com um Secretário da Unesco, 30 anos mais velho. Eu a chamava de Miss Simpson e ela não podia compreender como é que eu, tendo ainda o direito de permanecer mais 19 anos na França, preferia, com grande prejuízo financeiro e amoroso, voltar para “Là-Bas”, para “L’Amérique Latine”, como dizia ela.
América Latrina, como digo eu. Eu e o Ruy Guerra.
Mas, eis aqui a explicação, que Miss Simpson certamente não receberá, a não ser que esteja morta e esse negócio de espiritismo e Facebook funcionem.
Olhe aqui, Miss Simpson: você está certíssima!
Bom que a senhorita tenha um apartamento em Chelsea, Londres e uma casa nos Hamptons, NY, como a Diane Keaton de Jack Nicholson.
Está muito certa que, em seu apartamento da avenida Foch, a senhorita; você, tenha um caco de friso do Partenon e, na tua Maison, na Provence, uma tela de Picasso. De dia para te dar investimento e de noite para te dar insônia.
Está muito certa que, em todas as residências, tu tenhas geladeiras gigantescas capazes de conservar tua arrogância, travestida de ironia e intolerância.
Por muitos anos a vir.
E que possuas aspiradores mais possantes que um beijo de Brigitte Macron, “pardon”, Bardot e máquinas de lavar
capazes de apagar a mancha do teu desgosto de ter posto tanto dinheiro em vão em Cem Anos de Solidão.
Está certo que em tua mesa as torradas saltem nervosamente de torradeiras automáticas e tuas portas se abram com biometria. Kipena! Teus dedos seriam mais agradáveis virando páginas ou molhando pétalas.
Está muito certa, a senhorita; você, mistura de tu com conjugação da ausente; viajando mundo afora, mundo adentro, para tirar o pai da forca. Ou da guilhotina de ouro, como tuas gaiolas.
Certíssima está você com seus 15 minutos de fama nos jornais de Bagdá.
E que tenha dois psiquiatras: um em Nova York, outro em Roma, para as duas “estações” do ano.
Está tudo muito certo, Miss Simpson. Você ainda acabará como vereadora em Belo Horizonte.
E sem dúvida, a mulher mais interessante de Plutão, ainda que portando anéis de Saturno.
Mas me diga uma coisa, Miss Simpson, me diga sinceramente uma coisa, Miss Simpson:
A senhorita ainda sabe lá o que é uma valsa de Tom Jobim?
Você sabe lá o que é ter duas jabuticabeiras no quintal, em Barbacena?
A senhorita lá sabe o que é torcer pelo Atlético Mineiro?
PS: Olhe aqui, Mr. Buster, esta crônica é dedicada ao meu Vinicius de Moraes, aniversariante de hoje, 19 de outubro de 2019.
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