23 de fevereiro de 2024
Colunistas Walter Navarro

O que fazer com o L?

Hoje, o Brasil enfrenta a poderosa e temida seleção de Camarões, mas há um mês o assunto é um só: Afinal, o Ladrão está vivo ou parou de roubar para sempre?

Mas antes, um pouquinho de História.

Vocês sabem qual foi o último político brasileiro assassinado?

João Pessoa, “a capital da Paraíba”, em 1930. O episódio é longo e complexo porque até hoje discutem se foi crime passional/pessoal – sem trocadilho – político ou os dois.

Passional/pessoal porque João Pessoa, “O Reformador” contra a “Velha Política”, fofoqueiro e então governador da Paraíba, após ordenar busca e apreensão – isso lembra algumas coisas recentes? – no escritório “clandestino” de seu futuro assassino, outro João, mas, Dantas, expôs sua relação amorosa com a bela Anaíde Beiriz, poeta de 25 aninhos. Como?

A “Globo” acabou mostrando “a alma tortuosa dos conspiradores contra a ordem e a dignidade de nossa terra. A polícia apreendeu armas e sensacionais documentos do Sr. João Dantas”.

Indignado, com um primo, Dantas matou Pessoa, a tiros, numa confeitaria, em Recife e acabou; com o mesmo primo, degolado e “suicidado” na prisão. Desconsolada, Anayde envenenou-se, dias depois, num convento, também em Recife.

Crime político porque o assassinato provocou comoção nacional. João Pessoa era vice na chapa de Getúlio Vargas na campanha fracassada para a Presidência da República, o que provocou a Revolução de 1930, depondo Washington Luís e levando Vargas ao poder. Foi “gópi”?

Ah! Getúlio Vargas, além do assassinato de seu vice, João Pessoa, tomou o poder na esteira da crise econômica, provocada pela Queda da Bolsa de 1929 – que também serviria à Hitler – e alegando “eleições fraudulentas”… E isso, sem nossas urnas eletrônicas de hoje, padrão FBI, CIA e NASA; sinônimo de “La garantia soy yo”.

Realmente, a História se repete como farsa e ópera bufa.

Todo este prefácio para mostrar que, antes da facada em Bolsonaro e em seu discurso de ódio; a morte de João Pessoa, há 92 anos, foi o último atentado político no Brasil, tirando aquele contra Carlos Lacerda, em 1954, no Rio de Janeiro, levando ao suicídio do mesmo famigerado Getúlio Vargas.

Claro, sem falar nas mortes por Covid-19 de Lacerda, JK, Jango e Tancredo! Nem nas de PC Farias e Celso Daniel.

Por falar no Ladrão, há 20 anos, pelo menos em piadas, ele já morreu várias vezes. A mais famosa e longa é aquela onde ele, depois de bater as botas de um amigo, não foi bem vindo no Céu, nem no Inferno. Deus não teve paciência e o Demônio não quis concorrência.

Longe de mim, desejar a morte de alguém. Muito menos a do Molusco. Pelo contrário!

Desejo a ele vida longa, saudável e prisão perpétua. Claro, o Condenado é de dar pena: no mínimo 30 anos.

Foda é inútil prender quem tem várias chaves da prisão.

Por falar nisso e voltando à Copa, aplausos à Globo que se emocionou com os protestos dos iranianos, contra o governo medieval de lá e não mostra sequer uma imagem dos milhões de brasileiros nas ruas a favor do governo Bolsonaro. Muito menos mostra as manifestações, no mundo e até no Catar, gritando que “o lugar do Ladrão é na prisão”; na cadeia e não na cadeira de Presidente.

“Resumindo henrique cardoso”, depois da incrível morte da Rainha Elizabeth II, em setembro – a quem devo uma homenagem e podem cobrar – tive certeza de que todos somos mortais. Até o Mick Jagger e o Ladrão.

Como escrevi acima, não desejo a morte do Verme, mesmo porque não adianta! Todos seus exames dão negativo porque dele sai nada de positivo.
Acontece que, entre as 1069 Teorias da Conspiração que adoro; desde a morte de Kennedy, quando eu tinha um ano de idade, a mais delirante, há um mês é “A Morte e a Morte de Quincas Berro d’Água”. Água que passarinho não bebe. Já a onça… Está fumando mais que cobra. Oremos!

Oremos porque segundo amigo meu, cunhado de um primo que toma conta do cachorro da mulher de um general da reserva, a intervenção é questão de horas…

Fato é que, depois da “Black Fraude”, o Larápio sumiu. Disseram que ele estava comendo Viagra e Canja na “casa de um amigo”, no sul da Bahia. Depois, no Egito, com jatinho de outro amigo.

É pra matar Roberto Carlos de inveja, que só tem um milhão de amigos!

Outras fontes seguras juraram que o Meliante agonizava, não no SUS, mas no Sírio Libanês, em São Paulo, depois de um infarto, um AVC ou unha encravada.

Em seu lugar estaria um sósia. Mas com dez dedos, o que me horrorizou. Se com Nove Dedos o “Nine” roubou o que roubou, imaginem com dez, 11 dedos, inclusive fazendo o L no cu de quem votou e principalmente de quem não votou no Vagabundo.

O auge de minhas gargalhadas foi com vídeos, onde este sósia de 10 dedos tirava uma máscara de silicone, com a cara de bêbado do Presidiário, qual Tom Cruise em “Missão Impossível”.

É muita imaginação e falta do que fazer, Misericórdia!

Sorte eu ter um amigo, o Luiz Fernando, que sabe de tudo. Liguei pra ele.

– Lulu, beleza?

– Tudo escorrendo bem, Senhor Juiz…

– Aqui, é verdade que o Ladrão morreu?

– Veja bem, no velório eu não vou porque estarei dando uma festa, mas na Missa de Sétimo Dia eu vou, pra soltar uns fogos na porta da igreja.

– Que falta de absurdo! -Então passa mais tarde ou guarda pro Réveillon, meu amigo. Só não aconselho enterrá-lo na Terra Santa, porque lá corremos o risco dele ressuscitar…

Piadas à parte, não prego a violência e o Mal. Como facadas de Adélio, jogar futebol com a cabeça ou arrastar a cara do Ladrão no asfalto, como desejam frequentemente contra Bolsonaro.

Na peça “O Avarento” (1668), de Molière, o pior castigo para o personagem principal, Harpagon, que só pensava em dinheiro, foi deixá-lo pobre.
Para o Ladrão e seus asseclas, defendo que sofram no mesmo estilo Molière, tirando deles o que mais prezam; o dinheiro que roubaram e com um bônus; condená-los ao que mais detestam: trabalho. Mas trabalhos forçados, no sertão do Nordeste, cavando poços com picareta, ferramenta que dominam com maestria.

PS.: O que, um dia, fazer com o L? Enterrar, cremar ou jogar no oceano? Não! Chega de poluir terra, mar e ar. Que tal canibalismo entre iguais?

Walter Navarro

Jornalista, escritor, escreveu no Jornal O Tempo e já publicou dois livros.

Jornalista, escritor, escreveu no Jornal O Tempo e já publicou dois livros.

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