23 de junho de 2024
Colunistas Walter Navarro

Meu Presidente

Foto: Google Imagens – Agência Infra

Oi Jair!

Saudade da tua risada e principalmente da minha.

Hoje, mesmo Finados, dia de luto – e desde 30 de outubro – até consegui sorrir, mas já voltei a respirar por aparelhos. Esperando a banda, o bonde, Godot e o terrorista do iFood.

Antes do preâmbulo, muito, mas muito obrigado, mesmo!

Te conheci pela TV, em 2018. De cara fui com a tua cara. Parecia um “espelho, espelho meu”. Vi um brasileiro de verdade e um cara tão politicamente incorreto como eu.

Gostei de ouvir você dando nome aos bois, às piranhas e aos bois de piranha. Nunca tinha visto e nunca mais vi outro político igual. A verdade dói; mas também leva facada, cusparada; é perseguida, insultada, agredida e ultrajada.

Aí, no fim do mesmo 2018, consegui eleger, aos 56 anos, meu primeiro, último e único presidente.

Continuei e continuo “Semper Fidelis”. Missão dada, missão cumprida. Mais que missão, dever cumprido. Com prazer, mesmo lembrando que, com prazer é mais caro – vim e fui de graça.

Por que fui?

Porque cansei de te ver pela TV. Dia 7 de Setembro, deste findo 2022, fui ao Rio de Janeiro. Fiquei lá, na praia de Copacabana lotada, durante seis horas, debaixo de um sol senegalês de derreter viadutos panamenhos e catedrais quenianas. Fiquei rezando, cantando, ensaiando uns passinhos, bebendo umas geladas, rindo e prendendo o mijo; perdão! Xixi, urina. Só consegui drenar o monstro muito mais tarde.

Valeu a pena porque, com a prima Mônica, consegui apertar tua mão na saída… Trocamos olhares e pintou um clima. Clima de cúmplices e patriotas. de amigos que ainda tomarão Tubaína juntos. Clima de presidente, de capitão e de eleitor fiel, correligionário, fã e Recruta Zero.

Obrigado, Presidente, muito obrigado.

Hoje é aniversário da minha irmã, Adriana. Assim, mesmo no Dia dos Mortos, há 59 anos, sempre tivemos festa lá em casa. Pelo menos festa aniversário. Este ano não deu, mas ela já me perdoou porque é tua fã número 1.

Passei o dia sozinho, mesmo em companhia de milhares de amigos que não conheço, na Avenida Raja Gabaglia, em frente ao 4º Exército, BH.

Foi divertido. Foi bonita a festa. Ao contrário de Copacabana, cinco horas debaixo de chuva fina, aquela “molha bobo”, Lorenzetti.

O guarda-chuva verde e amarelo, que ganhei na campanha do Aécio, me deixou na mão, assim como o próprio Aécio. Mas tudo bem. Há anos eu não tomava chuva por um motivo tão nobre.

E repito: sozinho, mas muito bem acompanhado. O Brasil tem milhões de imbecis, bandidos e vagabundos, mas a maioria é gente nossa. Sem fraude…
Subindo a enorme Raja Gabaglia, lotada de irmãos, escolhi um parador; um vendedor de cerveja e outras coisas não alcoólicas, em sua caixa de isopor.

Cheguei até a tomar conta da caixa e vender umas latas – R$ 100 em cinco minutos – enquanto ele foi se reabastecer. Eu poderia ter roubado dinheiro e cerveja, mas não sou petista.

Lembrei de você, de novo. Até parado e quietinho você ajuda a Economia, aos informais e aos trabalhadores de verdade. Muita gente ganhou muito dinheiro hoje, vendendo bebida, batata frita; cachorro quente, água; capa de plástico e churrasquinho de gato, como você gosta de falar.

A cerveja mais vendida era a Heineken e todo mundo brincava, lamentando e tampando, com os dedos, a “estrela vermelha” da lata verde.

Querida Heineken, eu, depois de hoje, colocaria uma estrela amarela na lata verde, vai ficar muito mais bonita e tragável.

Em Copacabana e hoje, entendi o Brasil, decifrando o delírio de Glauber Rocha: “Deus e o Diabo na Terra do Sol e da Chuva”.

Tomei tanta chuva e tanta cerveja que, mil perdões, tive que abandonar o posto. Fiquei no mato sem cachorro: molhado, sem internet, sem bateria e sem dinheiro. O que me salvou foi teu PIX.

Jair, obrigado, muito obrigado! Volte sempre! Fica mais!

Eu sei que você já fez muito, mas nós também fizemos. Então, sempre jogando dentro das quatro linhas queridas, você poderia passar um bilhetinho pro Exército?

Porque fiquei esperando um general sair pra conversar com a gente, mas fiquei a ver navios, a praça do povo e o céu do avião.

O recado é muito simples: que os militares peguem as provas da fraude e cumpram a Constituição: intervenção federal e legal! Primavera Brasileira. Justiça.

E mesmo rouco, eu grito aqui de novo: FORÇAS ARMADAS, SALVEM O BRASIL. 1964 rima com 2022 e nem precisamos apelar para outra rima: “quem não tem 22 caça com 142”.

Você fez tua parte, fiz a minha, agora é a vez de quem pode e deve.

Hoje, chovendo no molhado, eu e milhões – Brasil afora, adentro – estávamos indignados, revoltados e desesperados. Não queremos um Ser Abissal, imundo; que saiu da cadeia, na cadeira da Presidência. Isso nunca aconteceu no mundo. É ilegal e imoral. Indecente e absurdo.

Apelei a Deus, mas não deu. O Papa argentino disse a ele que o Brasil é outra Sodoma, Gomorra, Pompéia ou Herculano. É muita praga e castigo para um só Brasil.

Jair, nós dois estamos cansados, né?

Então, vou terminar com alguns dispersos.

Fale para os generais abrirem os olhos, o “Molusco flambado em cachaça” vem com a faca na boca e sangue nos olhos. Vingativo como qualquer desprezível, ele vai aposentar todos.

Abra o olho você também. Quem te chamou até de taxidermista, vai te condenar como pedófilo, canibal, genocida, misógino, nazista, fascista, ditador e imbrochável. E cuidado! Tem Sinistro do Supremo pra te descondenar não!

Hoje, vi muita gente, mas não como estava acostumado e viciado. Para onde foram os milhões que te seguiam pelas ruas em motos, carros, a pé? É a mesma mentira que dizem no casamento: “na saúde e na doença”.

E pensar que o povo, em 2013, foi às ruas, “de com força”, por causa de 20 centavos e agora está pouco ligando para os trilhões roubados. Pelo contrário! Chamaram o ladrão pra levar o resto.

O resto é o País que você limpou à toa.

Você ainda é cercado por traíras.

Não confie em ninguém que se elegeu às tuas custas. Vão te jogar na cova das hienas.

O Vagabundo tem dinheiro para comprar outro congresso novinho em folha.

Quanto aos governadores, Tarcísio e Zema que se cuidem!

Ah! Jango também poupou o Brasil de uma guerra civil, mas pelo menos nos deixou nas mãos de generais e não de bandidos.

Esqueci muita coisa, mas já escrevi demais. Obrigado, muito obrigado.

PS: Um forte abraço.

Walter Navarro

Jornalista, escritor, escreveu no Jornal O Tempo e já publicou dois livros.

Jornalista, escritor, escreveu no Jornal O Tempo e já publicou dois livros.

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