11 de agosto de 2022
Vera Vaia

Espetacular!

A semana que passou começou animada! 

Já na segunda-feira vimos a prisão do Eike Batista, que antes de embarcar de Nova Iorque pra cá, deu uma entrevista à Globo dizendo que veio pra “ajudar a passar as coisas a limpo”. “tô voltando porque sinceramente, vou mostrar como é que são as coisas. Simples assim”. 

Ainda no JFK, ouviu de um brasileiro que passava por lá: “e aí? Vai tomar uma catuaba selvagem lá com teu colega Cabral”? (Ui!)

Eike sorriu e disse que a coisa é assim. Disse também que a Lava Jato é espetacular,  que o Brasil é um país espetacular, que tudo é espetacular!  Legal esse otimismo pra quem está prestes a ser preso. 

Quando desembarcou no Rio, carregando seu ursinho Ted em forma de travesseiro, já foi recepcionado pela Policia Federal que o conduziu direto ao Presídio  Ary Franco, mas como o recinto estava com over-booking e ele não tinha feito reserva, foi levado mais tarde para o Bandeira Stampa, em Bangu. 

No dia seguinte, já com o uniforme do presídio e sem a esvoaçante peruca, foi prestar depoimento. Não abriu o bico. Deve ter passado essas quatro horas lá negociando vantagens da delação. E, certamente, ele vai querer uma boa recompensa pelo seu pacote de denúncias. Se cumprir o que prometeu, “mostrar as coisas como elas são”, muitos outros sérgios cabrais virão por aí!

Na quarta, os holofotes se voltaram para o nosso Magnus Circus Senatus, onde 61 dos 81 Senadores conjugaram o verbo Euniciar: EU nício, TU nícias, ELE nícia, NÓS niciamos todos, perpetuando assim a soberania sarneysta do PMDB que manda no pedaço desde 2001. Eunício Oliveira, citado em duas delações da Lava Jato, teve apoio até de uma parte do PT, que estava dividido porque seus correligionários entenderam  ser esse um candidato que dá uma no cravo, outra na ferradura. E é verdade. Ele deu, literalmente uma na ferradura, quando ajudou a mandar a Dilma pra casa. 

Só dez Senadores, entre eles Ana Amélia Lemos e Magno Malta, puseram suas caras a tapa e votaram no Policial Rodoviário e Senador José Medeiros, do PSD.

Outros dez ficaram em cima do muro, vendo a banda passar enquanto Fernando Collor fazia as vezes de “daminho” de honra, levando as alianças pros noivos.

E assim, mudando os nomes das moscas, a presidência do Senado continua sendo passada de pai para filho, deixando claro que, tão cedo, essa turma não larga esse osso. 

Outro assunto que estava dando muito pano pra manga na disputa pela Presidência da Câmara dos Deputados, foi logo resolvido pelo juiz do Supremo Celso de Melo. Ele decidiu que Rodrigo Maia foi só um OB na presidência, depois da saída de Cunha. Que mandato tampão não fere a Constituição no que diz respeito à proibição da reeleição. 

Então como já se previa, vamos ver o Bolinha França, como é carinhosamente chamado nas redes sociais, por mais dois anos tocando seu violino afinado com o governo, pelos corredores da Câmara. Tomara que não seja na calada da noite, tentando aprovar projetos na surdina, como já aconteceu.

E já na sua primeira entrevista como Presidente definitivamente eleito,  voltou ao assunto “abuso de autoridade”. Tema perigoso, que se aprovado,  pode salvar a pele de muita cobra criada lá dentro.

E pra fechar o ciclo de horrores da semana, o Juiz Deyvison Heberth dos Reis, da 3ª Vara de Presidente Venceslau, mandou soltar Rogério Jeremias de Simone, o Gegê do Mangue (não deveria ser GJ do Mangue?). O moço responde por 11 processos de homicídio, formação de quadrilha e tráfico de drogas e na escala Richter do PCC,  é o terceiro colocado. Mas ele tem potencial e agora solto, vai se esforçar pra  conseguir colocação melhor.

Tamo bem, mano! 

 

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Mãe de filha única, de quatro gatos e avó de uma lindeza. Professora de formação e jornalista de coração. Casada com jornalista, trabalhou em vários jornais de Jundiaí, cidade onde mora.

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