23 de fevereiro de 2024
Colunistas Vera Vaia

Você tá feliz?

Assim que acabou a apuração dos votos no último domingo, um amigo me ligou e perguntou: Você tá feliz?

Minha resposta, ou minhas respostas foram:

Feliz porque o Lula ganhou? Não.

Feliz porque o Bolsonaro perdeu? Sim.

E, assim como eu, uma grande parte da população brasileira fechou a semana com essa ambiguidade assombrando as almas e as cabeças dos que sonharam, lá atrás, em acordar no dia seguinte ao das eleições cheios de esperança de dias melhores.

Mas sendo só o que se nos apresentava para o momento, ficamos sem saída. Um desses sapos a gente ia ter de engolir.

Sem melhores opções, me pareceu que, naquele momento, o sapo barbudo seria mais fácil de deglutir, mesmo sabendo que esse sapo que nunca foi príncipe tenha aproveitado sua estadia para cavar fundo e tirar o que havia de melhor no pedaço. Tanto que foi denunciado pelos outros anfíbios, julgado e condenado, e ainda pagou pelos seus atos trancafiado num cubículo, de onde coachava para seus admiradores.

Se serviu de lição, não deverá cometer os mesmos deslizes, mesmo porque jura de pés juntos que é inocente. E a comunidade anfíbia vai ficar de olho.

Durante o tempo em que lá esteve, outro sapo, que habitou um terreno próximo por 28 anos, resolveu que queria morar naquele espaço que já foi comandado pelo sapo barbudo. Começou-se então uma campanha pra que os moradores do local o elegessem como líder. Para tanto, apelou para todos os métodos de convencimento que conhecia. Usou a religiosidade para enganar os girinos (hoje são chamados de gado), disse que combateria a corrupção que assolou o lugar por muito tempo (só não contou que iria implantar seus próprios métodos de corrupção que o fariam enriquecer ainda mais, assim como sua família), que acabaria com a pobreza (mas não disse a de quem; hoje, quase quatro anos depois que assumiu o posto, mais de 33 milhões de anfíbios não têm o que comer) e criou um gabinete especializado em contar mentiras para os incautos eleitores.

Dessa maneira conseguiu o que queria e pegou gosto pela coisa. A ponto de não querer mais sair. E tem motivos para isso. Sabe que o poder assegura sua liberdade e que, perdendo pode ser trancafiado num cubículo igual àquele em que ficou seu adversário por um tempo. Ele já carrega 58 processos pelos crimes cometidos e vai ter de responder por eles.

Porém, não adiantou tentar convencer seus eleitores a não votarem no adversário porque ele “iria construir um banheiro único para homens e mulheres”. (É verdade esse bilete. Ouvi de uma amiga que sua diarista só não ia votar no sapo barbudo por esse motivo. É pá ri ô pá chorá?)

Perdeu mas não se conformou. Passou dois dias trancafiado em casa (provavelmente chorando no banheiro) para depois aparecer com um pronunciamento que não combina com um Imbrochável. Naquele instante pareceu sofrer de ejaculação precoce e não teve a coragem de assumir sua derrota, procurando novamente culpar o sistema eleitoral que ele considera “injusto”.

Ficou pequeno diante de uma nação inteira e não se preocupou com a população que estava sofrendo com a baderna provocada pelos paus mandados por ele através dos seus filhos. Dudu Bananinha Bolsonaro aparece em vídeos incitando a turba a continuar tocando terror nas estradas.

Mas o mais triste disso tudo é a constatação de como a insanidade pode se espalhar tão facilmente em todo o território nacional. Se viu de tudo nessas manifestações. Idosos levando suas panças pra chacoalharem ao lado de suas bandeiras empunhadas, marchando ridiculamente como soldados do roto exército de Brancaleone. Manifestante que, na tentativa de impedir que um caminhão furasse o bloqueio, se agarrou nele e fez um longo passeio estrada afora sendo filmado pelo lado de dentro. Quase fiquei com dó, mas logo cai na risada vendo sua cara de pateta, cabelos ao vento, viajando ao ar livre.

Imagino que até os Bolsonaros também estejam rindo desses malucos que acreditam que vão tomar os quartéis e “restaurar a ordem no país, lutando contra o comunismo”.

A nós só resta esperar e ver o que vem pela frente porque por trás já sabemos o que veio.

Vera Vaia

Mãe de filha única, de quatro gatos e avó de uma lindeza. Professora de formação e jornalista de coração. Casada com jornalista, trabalhou em vários jornais de Jundiaí, cidade onde mora.

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Mãe de filha única, de quatro gatos e avó de uma lindeza. Professora de formação e jornalista de coração. Casada com jornalista, trabalhou em vários jornais de Jundiaí, cidade onde mora.

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