14 de julho de 2024
Colunistas Vera Vaia

Imbecilidade não faz quarentena!

Pensei até em ignorar as duas falas mais imbecis da semana, porque são de uma baixeza tão grande que causam indignação, estupefação, raiva e náuseas quando repetidas, mas não deu.
Uma proferida pelo nosso (vosso. Eu não votei nele) presidente atual. Outra pelo nosso (vosso. Nunca votei nele) ex-presidente.
Não dá pra ficar de bico calado quando a gente ouve uma besta fazendo live e soltando uma “gracinha” do tipo “quem é de direita toma cloroquina. Quem é de esquerda toma Tubaína”, no dia em que o Brasil atingiu quase 1.200 mortos em 24 horas.
A vontade que deu ao ouvir isso foi a de falar: e quem tem um presidente urubu que vá tomar Coca-Cola.
Ele, mais uma vez, demonstrou que está se lixando para o morticínio provocado pelo coronavírus aqui no Brasil, e que seu negócio é ser garoto propaganda da tal cloroquina.
Então, vamos ligar os pontos: se ele não liga para a tragédia que estamos vivendo e insiste em impor um remédio que não tem eficácia comprovada sobre a doença, é porque aí tem!
E parece que tem!
Dizem as boas línguas e os sites sérios de notícia que é preciso dar um destino àquela montanha de comprimidos produzidos pelo laboratório do Exército.
Levado pela onda daquele outro cloroquinento americano, o Pato Donald Trump, o governo de Jair Bolsonaro investiu os tubos na cloroquina em pó – aliás pagou R$ 1.304,00 por quilo, seis vezes mais do que foi pago há um ano, e nem pestanejou. O insumo é importado da Índia, e fornecido aqui por uma empresa do interior de Minas.
Quando começou a se falar em cloroquina, doentes de lúpus, de artrite e de malária acabaram ficando sem o medicamento próprio para seus tratamentos porque teve uma corrida às farmácias à procura do santo remédio. Agora, essa pílula milagrosa está entupindo os espaços do laboratório, que já tinha produzido, até o começo desta semana, 1,25 milhão de comprimidos. E a previsão é a de produzir mais 1,75 milhão nos próximos dias.
Vamos combinar que é remédio que não acaba mais. E é preciso achar uma saída pra ele.
Dessa forma, como não encontrou quem o ajudasse nessa missão, Bolsonaro trocou dois ministros médicos até achar alguém que topasse fazer a mudança de protocolo para o uso da droga.
Sobrou então para o ministro interino, o general Eduardo Pazuello, chamado por eles de “número dois da Saúde”. (Pela cagada que está fazendo, chamá-lo de número dois é bem adequado.)
Médicos afirmam que receitar cloroquina e mandar pra casa o paciente com Covid-19 pode ser um risco grande. Ele pode morrer sem assistência, em consequência de algum dos efeitos colaterais graves que provoca. E que seu efeito benéfico é o mesmo do “feijão da cura” do pastor picareta Valdemiro Santiago de Oliveira.
Mas a turma do cercadinho apoia a iniciativa do presidente e até compôs uma versão da Florentina do Tiririca: “cloroquina , cloroquina, cloroquina lá do SUS, eu sei que tu me curas, em nome de Jesus”, e todos os dias, quando o presidente aparece, entoam o “hino”.
E assim, em meio à maior e pior pandemia já vista, o Brasil continua sem ministro da Saúde. Mas providências estão sendo tomadas para que se combata o vírus com rigor: o número dois nomeou nove militares num dia e mais quatro no dia seguinte, para atuarem no Ministério da Saúde.
Como não tem nenhum médico nesse pelotão do Exército, imagina-se que vão atacar o vírus com tiros ou batendo neles com a continência da rígida disciplina militar.
E daí, pra lembrar que há tempos o Brasil não tem um presidente decente, aparece ele, o probo, o honesto, o moço de fino trato, entre aspas, ex-presidente, ex-(e quem sabe futuro) presidiário, Luiz Inácio, com a pérola: “Ainda bem que a natureza criou esse monstro chamado coronavírus para que as pessoas percebam que apenas o Estado é capaz de dar a solução”.
Ora, vocês, seus dois urubus! Vão tomar nas suas rimas e, de quebra, levem a puxa-saco da recém Divorciadinha do Brasil com vocês.
O que ela tem a ver com isso? Além de se encaixar no título do texto, nada! Só tô sem paciência pra nhenhenhé!
Vera Vaia

Mãe de filha única, de quatro gatos e avó de uma lindeza. Professora de formação e jornalista de coração. Casada com jornalista, trabalhou em vários jornais de Jundiaí, cidade onde mora.

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Mãe de filha única, de quatro gatos e avó de uma lindeza. Professora de formação e jornalista de coração. Casada com jornalista, trabalhou em vários jornais de Jundiaí, cidade onde mora.

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