23 de fevereiro de 2024
Colunistas Vera Vaia

Ah, vão se catar!

Desde a eleição em que Jair Bolsonaro foi legitimamente derrotado nas urnas, o Brasil está assistindo a uma série de acontecimentos esdrúxulos, que ora nos fazem rir, ora nos provocam ira.

É o caso do assunto mais comentado desta semana nas redes sociais. A imagem de Eduardo Bananinha Bolsonaro num estádio no Catar provocou a ira até dos seus apoiadores quando foi flagrado com a camisa da seleção brasileira assistindo ao jogo ao lado de sua mulher. Mas o que é que tem demais nisso?, perguntam alguns.

Não teria nada demais se ele tivesse ido assistir à Copa do Mundo in loco com seus próprios recursos (o que seria difícil; de uma forma ou de outra, o dinheiro é nosso mesmo, já que pagamos seus salários de deputado federal e todas as mordomias que fazem parte do combo de um parlamentar), se não tivesse colocado antecipadamente sua assinatura no livro de presença da Câmara, conforme denunciou a revista Veja, e, sobretudo, se não viesse pra cima da gente com a desculpa mais esfarrapada do universo que algum picareta podia usar, para justificar sua presença lá.

Sob a alegação de que tinha ido “mostrar a situação do Brasil” lá fora, juntou um monte de pendrives, já em estado de sucata, dizendo que lá dentro estariam as provas de que o papi teria sido fraudado nas urnas. Como foi criado num ambiente em que a mentira é passada de pai para filho, Dudu Bananinha deve achar que essa lorota estapafúrdia “colou”, já que ele e a família acreditam que o Brasil inteiro está nessa vibe de que realmente houve fraude nas eleições.

Ah, vai se catar, Dudu!

Essa convicção pode estar vindo das imagens que temos visto frequentemente de gente se humilhando na “luta pela liberdade”. Os vídeos são protagonizados pelos “patridiotas”, como estão sendo chamados, em situações ridiculamente ridículas.

A maioria concentrada em frente aos quartéis esperando por algum milagre, acreditando nas palavras dos porta-vozes do governo que a toda hora anunciam que em 72 horas eles terão uma surpresa. Muitas 72 horas já se passaram desde a primeira vez quem que ouviram isso, e até agora não se convenceram de que essa hora não vai chegar.

As imagens desse povo “aquartelado” do lado de fora dos quartéis são preocupantes. Não sou da área da psiquiatria, mas arriscaria dizer que essas pessoas estão sofrendo de uma espécie de histeria coletiva que os levam a agir como robôs humanos delirantes.

Tenho até a impressão de que um sátiro foi contratado para lançar um script via WhatsApp para esse pessoal, uma espécie de cronograma com as instruções específicas para cada dia da semana:

SEGUNDA-FEIRA: dia de bater continência e pedir por socorro para os muros e portões dos quartéis.
TERÇA-FEIRA: pela manhã, ensaio do jogral a ser apresentado à noite. Em fila, cada integrante deve dizer uma palavra até formar uma frase completa. Exemplo: Eu… estou… lutando… contra… o… comunismo… neste… país.
QUARTA-FEIRA: os grupos devem marchar nas ruas como soldados russos levantando a perna até onde a artrose permitir, entoando o Hino Nacional.
QUINTA-FEIRA: representando um ato masoquista, os integrantes de cada grupo deverão amarrar seus pulsos bem apertados com tiras de pano preto e rezarem para que Nossa Senhora Desatadora de Nós venha socorrê-los.
SEXTA-FEIRA: à noite todos deverão acender a lanterna de seus celulares, colocá-los sobre suas cabeças, e, em tapinhas imitando um código morse, enviarem mensagens com pedido de socorro aos extraterrestres.
SÁBADO: dia de orar para agradecer pelos 100 milímetros de chuva que alagaram os acampamentos, facilitando o serviço de limpeza, eliminando assim o cheiro de mijo e de bosta impregnado nos terrenos.
DOMINGO: dia de relaxar e passear. Um representante do grupo será escolhido para “passear” do lado de fora de um caminhão. Essa pessoa ganhará fama internacional e poderá contar com orgulho pros seus netos como foi que ele salvou o Brasil do comunismo.

Tarefas que eles vêm cumprindo com todo o empenho já há dois meses.

Ah, vão se catar, manés!

Vera Vaia

Mãe de filha única, de quatro gatos e avó de uma lindeza. Professora de formação e jornalista de coração. Casada com jornalista, trabalhou em vários jornais de Jundiaí, cidade onde mora.

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Mãe de filha única, de quatro gatos e avó de uma lindeza. Professora de formação e jornalista de coração. Casada com jornalista, trabalhou em vários jornais de Jundiaí, cidade onde mora.

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