14 de abril de 2024
Editorial

“Quem sai aos seus não degenera”

Imagem: Facebook

“Le Brésil n’est pas un pays serieux”. A célebre frase, que nunca foi realmente dita, é atribuída ao general francês Charles De Gaulle e é praticada diariamente por nossos políticos no Congresso.

A nossa Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei que pune o ato de “discriminação contra pessoas politicamente expostas” — como juízes, políticos e militares. A lei ainda estende tais benesses a familiares, colaboradores próximos e pessoas jurídicas ligadas a eles.

Na verdade, algum de nossos deputados deveriam apresentar um projeto para “dignificar o Congresso” punindo o deputado que: falsificar notas de despesas, usar passagens e diárias em proveito próprio, praticar rachadinha, manter funcionário fantasma, praticar nepotismo cruzado ou não, usar serviço ou verba públicos para melhoria em patrimônio próprio ou de familiar, obter financiamento preferencial em banco estatal, manter conta secreta no exterior e acabar com os penduricalhos mensais que recebem os congressistas. Afinal, o deputado ou o senador eleito deve viver exclusivamente de seu salário, como a totalidade do povo brasileiro. Que tal?

O projeto foi apresentado pela deputada Dani Cunha (União Brasil-RJ). A ilustre deputada é filha de ninguém menos do que Eduardo Cunha. Sim ele mesmo, aquele que estava preso e condenado e agora esta à solta. Suponho que ele tenha sido o idealizador do projeto que pretende punir atos de cunho discriminatório contra “agentes públicos”. O texto, que teve como relator o deputado Cláudio Cajado (PP-BA) e foi aprovado pelos deputados com placar de 262 votos a favor e 163 contra.

Este projeto, significa legislar em causa própria, impedindo que políticos, em última análise, sejam chamados de corruptos.

Isso é um tapa na cara da cidadania, em especial do sugado contribuinte que banca o segundo Parlamento mais caro do mundo. Nossos representantes, em todas as esferas, já são beneficiados por outras excrescências, tais como o foro privilegiado, os longos recessos, os enormes penduricalhos e a miríade de assessores.

O brasileiro está descrente, inteiramente descrente, daqueles que foram eleitos para bem nos representar. É de uma canalhice sem tamanho.

Ouso sugerir a algum parente, ainda em vida, do excelentíssimo senhor Ulysses Guimarães, um dos deputados de maior gabarito que a Câmara já teve ao longo de toda a sua história, que mande retirar a sua estátua existente na entrada daquela Casa. Ele deve estar se “revirando no túmulo”, como se costuma dizer, com tantas ações vergonhosas daqueles que não honram o seu mandato e nem são minimamente patriotas.

Justo Veríssimo, personagem político do saudoso Chico Anysio, que se cuide. Seus assemelhados estão lhe dando de 7 x 1 (de triste lembrança) com as medidas de proteção que os blindam de nós, aqueles que fizeram filas para clicar os botões das famosas urnas eletrônicas.

Imagem: Google Imagens – Vargem Alegre

Como acabar com esses abusos? Não vejo saída, pois são estas castas que aprovam e julgam as leis. Até a Lei da Ficha Limpa, assinada por milhões de brasileiros, foi desvirtuada após a necessária chegada ao Congresso.

Reforma tributária, ok. Administrativa, ok, mas precisamos mesmo é de uma REFORMA POLÍTICA, mas quem a faria, a não ser uma nova Constituinte formada pela sociedade sem a participação dos políticos?

Por favor, onde estão vendendo nariz de palhaço?

Imagem: Google Imagens – Milton Jung
Valter Bernat

Advogado, analista de TI e editor do site.

Advogado, analista de TI e editor do site.

1 Comentário

  • Rute Abreu de Oliveira Silveira 26 de junho de 2023

    Valtinho, receio que vamos demorar muito para conseguirmos tirar o ” nariz de palhaço”, que parece, atualmente, fazer parte do nosso ser.
    Que triste constatar que o nosso congresso e a nossa “Suprema Corte” decaíram tanto.
    Quem poderá nos salvar???!!!.
    Rute Silveira.

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