4 de julho de 2022
Editorial

O Caixa 2.1

15123304_10205814897890836_1262159471153340017_oFoto: Arquivo Google

Parlamentares com balanço antiético e imoral tentam fechar um acordão político para beneficiar saqueadores de caixa dois com foro privilegiado, desestabilizando, assim, o sistema social e econômico. É o preço de uma democracia blindada nos gabinetes da pilantragem oficial. Mais uma rasteira no honesto trabalhador, com políticas matreiras na petulante democracia da propina. Uma rearrumação das sílabas da palavra “parlamentar” mostra o espelho deste nosso Congresso: “para-lamentar”.
Congressistas perdem o temor, a vergonha e, cheios de arrogância, abandonam as máscaras e mostram sua verdadeira cara. É o momento de irmos às ruas, como em 2013, para mostrar que não aceitaremos sua trama de se anistiarem, zombando de todos. O Brasil é nosso, e não deles. Se insistirem, sob as asas do governo que só foi instalado porque fomos para a rua e os forçamos a depor a presidente e seu partido, caracterizarão a sua ilegitimidade. E a resposta do povo terá que ser dada nas ruas, sem baderna, sem vandalismo e de forma apartidária. Não só está em risco tudo o que conseguimos fazer para corrigir o descalabro de anos, mas o futuro da nação, que não terá chance de ser alguma coisa que não uma republiqueta sob o comando de meliantes amorais, corruptos e apropriadores de nosso esforço e trabalho. Às ruas em 04/12, brasileiros!
Querem tornar os corruptos que já foram condenados em anistiados? Depois de dois anos e oito meses de trabalho da Lava-Jato querem anistiar até os já condenados? Alegar que caixa dois não é crime, tendo sido usado dinheiro sujo? Temos que ficar de olho na comissão da Câmara que quer dar refresco para quem roubou. Coisas inexplicáveis e absurdas acontecendo em Brasília. Olho vivo!
A palavra anistia me leva ao passado, quando o povo gritava nas ruas pedindo anistia ampla, geral e irrestrita para exilados políticos. Eram crimes políticos. Agora, a anistia deveria ser chamada de corrupção, dinheiro de caixa dois, considerado crime. Espero que o caixa dois continue a ser crime, agora, antes e depois. Que Brasil é este?
A duras penas, afastamos um governo que arruinou a economia do país e cujo partido está envolvido na maior corrupção já vista no mundo. Podemos esperar muito da área econômica do governo Temer, pois ele soube escolher nomes respeitados, pelo menos nesta área. Mas, na esfera política, cercou-se de velhos e “confiáveis” amigos, uma verdadeira lástima. Quanto a este episódio de Geddel, só o fato de Calero demitir-se já aponta para quem diz a verdade, não é mesmo, presidente Temer?
Em sendo aprovado esse absurdo da descriminalização do Caixa 2, os novos políticos e empresas poderão lançar a segunda versão mais atualizada: o Caixa 2.1.
Meu avô dizia me duas coisas: a primeira era que honestidade não é predicado ou qualidade, mas uma obrigação; a segunda era que toda e qualquer autoridade, além de ser honesta, tem que parecer honesta.

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Advogado, analista de sistemas e editor do site.

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