24 de abril de 2024
Editorial

Calado, é um poeta!

Um pedido de desculpas de Lula pode ser a saída para aliviar a crise – (crédito: Ricardo Stuckert / PR)

Para Lula não é preciso muito — basta um microfone e uma plateia — para dizer despropósitos de improviso, revelando sua ignorância sobre variados temas. O seu excesso de confiança, com o hábito nocivo de se considerar um semideus, tem tropeçado, e muito, na língua (não na portuguesa, mas na dele). É o rei do improviso inconsequente. Nem vale a pena enumerar aqui os anteriores, mas desta vez ele se superou.

Penso que o grande problema pra ele é o continente africano. Alguém lembra do primeiro governo Lula, quando ele foi ao continente africano (não me lembro em que país) e disse que “o país era tão limpinho que nem parecia a África”? Desta vez, de novo na África, comparou a guerra em Gaza ao Holocausto: “O que está acontecendo na Faixa de Gaza não existe em nenhum outro momento histórico, aliás, existiu, quando Hitler resolveu matar os judeus”.

Lula deu outro tiro no pé. Seus assessores e amigos já sabem que não podem deixá-lo sem o teleprompter, mas quem o controla? A improvisação, que ele tanto adora, tem que ficar fora do mapa enquanto ele for presidente. Deveria seguir o script, sem improvisar. Não foi o que ocorreu… de novo!

Após a infeliz declaração de Lula, o Hamas divulgou seguinte nota:

Nós, do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), agradecemos a declaração do presidente brasileiro – Lula da Silva – por descrever aquilo que o nosso povo palestino tem sofrido na Faixa de Gaza como um Holocausto. Os acontecimento na Faixa de Gaza são como o que o líder nazista Hitler fez aos judeus durante a Segunda Guerra Mundial”, destaca o comunicado.

Xi, ficou feio pra Lula e pro Brasil… nossa posição, gritada aos quatro ventos por nosso presidente, indiretamente, apoiou o Hamas. Isso não ficou bem!

Lula, depois de meses se escondendo por trás de razões “humanitárias” para atacar Israel e fazer louvores aos terroristas do Hamas, assumiu, perante o mundo, o que realmente é, ou parece ser, um antissemita cada vez mais raivoso. Ele jamais disse que Israel sofreu um ataque terrorista. Ao contrário, sempre apresentou Israel como o agressor.

Na tentativa de criticar as ações de Israel, cabíveis – embora reconhecidamente excessivas – fez com que Lula fizesse um paralelo com relação ao Holocausto. Isso é um absurdo. Nunca houve algo parecido no mundo e nem deverá haver, se Deus quiser. À época foram construídas “maquinas de matar” que serviam para dizimar judeus em massa, rapidamente… triste episódio de nossa humanidade.

A ação de retaliação de Israel em Gaza é desproporcional, mas necessária, já que o Hamas, infelizmente, se escuda em civis inocentes. A culpa pelos civis mortos tem que ser dividida entre o Hamas e Israel. Este quadro desolador, no entanto, não autoriza Lula a fazer a comparação com o período nazista e muito menos com o massacre de judeus.

Movido por vaidade e pelo impulso de se tornar um grande homem público em dimensão mundial, e por despreparo, o presidente cometeu uma impropriedade histórica e política, elidindo a linha de argumentação que condena a violência descabida em Gaza. Falta a Lula uma assessoria mais lúcida, ou ele não atende às demandas de sua assessoria?

Lula ultrapassou a linha em suas declarações na Etiópia. Nada, nem a História, nem mesmo a história diplomática do Brasil, nem a prática do Direito Internacional e, muito menos, a Constituição de 88 justificam o que parece um improviso ignorante e abusado.

As declarações míopes de Lula não só afrontam a memória dos seis milhões de judeus que foram assassinados, como dos brasileiros mortos no ataque do grupo terrorista Hamas. Talvez ele tenha esquecido que dentre os reféns mantidos pelos terroristas está um brasileiro. Novamente, o Brasil é colocado do lado errado da história por uma fala irresponsável, perversa e antissemita do nosso presidente. Novamente o Brasil emerge no cenário político internacional de forma vergonhosa e negativa.

Qual a consequência disso tudo? Simples. Lula foi considerado persona non grata em Israel, país com o qual sempre mantivemos relações amistosas. Isso nunca aconteceu com nenhum outro presidente do Brasil.

Ao que parece, o governo brasileiro optou por não se retratar. Pra mim fica muito pior… poderiam tentar uma retratação ou algo mais suave. Não se retratar, reforça o apoio ao que fez o Hamas.

Israel convocou o nosso embaixador. Diplomaticamente, isto significa que o país não está satisfeito com as atuais relações diplomáticas. Daí, Lula trouxe-o de volta, mas e os funcionários, como ficam? Certamente estão no rastro de persona non grata. Coitado do cara, levou, no mínimo, um esporro do Netanyahu.

Que a reação foi desproporcional, eu concordo, mas como combater terroristas que usam civis e doentes para se escudar dos ataques?

Aguardemos as cenas dos próximos capítulos…

Valter Bernat

Advogado, analista de TI e editor do site.

Advogado, analista de TI e editor do site.

1 Comentário

  • Rute Abreu de Oliveira Silveira 26 de fevereiro de 2024

    Shalom!
    Realmente esse ” ser” calado seria um poeta, muito inexpressivo, mas aturável.
    Porém esses sincericídios, muito comuns nos vermelhinhos que tomaram o nosso país de assalto, têm mostrado ao mundo o desgoverno que temos por aqui, infelizmente.
    Essa culpa eu não carrego, mas sofro com ela e me envergonho junto com milhões de brasileiros, por termos na presidência alguém assim tão desqualificado, inconsequente, sem caráter e mau como essa criatura que aí está.
    Rute Silveira.

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