Comprando vinhos no supermercado


Mais do que apreciar bons vinhos, saber comprá-los está se tornando uma forma de arte, com uma boa dose de sabedoria.
Esta coluna sobre vinhos sempre insistiu que os nossos supermercados não são a melhor opção na hora de se obter “bons vinhos”, por uma razão muito fácil de compreender: as quantidades necessárias para abastecer uma grande rede de mercados são inversamente proporcionais à qualidade dos vinhos.
Diversas manobras são conhecidas, não só aqui no Brasil, como em vários outros países, como aceitar diluições para aumentar os volumes produzidos, o engarrafamento de vinhos de diversas origens sob um único rótulo de origem e até mesmo o uso de castas não viníferas nos cortes com as uvas mais tradicionais.
Obviamente existem exceções. O mercado do vinho fino e de boa relação custo x benefício já desperta o interesse tanto das grandes redes como do mercadinho de bairro. Nos grandes centro, os supermercados de 1ª linha já dão um bom destaque à sua seção de vinhos, muitas vezes com um profissional disponível para ajudar na hora da compra.
Os conselhos apresentados a seguir serão úteis na escolha de bons produtos, seja numa boa loja especializada ou nos corredores cheios de ofertas tentadoras dos mercados perto de casa.
1 – Nossa primeira regrinha vem justamente deste fato, o excesso de ofertas. Sugerimos que o leitor não planeje muito, não vá de caso pensado e dedique algum tempo para apreciar rótulos e contrarrótulos. Muitas vezes os cadernos de ofertas podem conter boas indicações. Deixe-se levar , um pouco, pelo impulso.
2 – Uma das grandes facilidades que este tipo de compra proporciona é podermos arriscar, pelo menos, uma garrafa fora da nossa zona de conforto. Se o orçamento permitir, compre sempre duas garrafas: uma do seu porto seguro e a outra de algo para experimentar e aumentar o seu conhecimento.
3 – Que tal comprar o vinho com um cardápio já planejado? Acreditem facilita muito a compra. Para ser bem sucedido, escolha as harmonizações clássicas. Deixe as combinações mais exóticas para quando estiver mais tarimbado nesta divertida atividade.
4 – Olho no preço! Não perca a oportunidade de comprar, pelo menos uma caixa, se encontrar uma pechincha. Para alguns mercados, a rotação de estoques é uma regra fundamental. Por isto, periodicamente são obrigados a desovar verdadeiras preciosidades a preços muito convidativos. A única recomendação é prestar atenção na safra e guardar estes vinhos em lugar adequado. Podem durar muito tempo, ainda.
5 – Esta última recomendação é tipicamente brasileira e está ligada a algumas práticas comerciais, digamos, pouco éticas. Destacamos os rótulos quase homônimos, em que o nome de um vinho internacionalmente conhecido é escrito intencionalmente errado, ou rótulos que copiam um design original, que inclui cor, tipografia, ilustrações, mas com um nome bem diferente, na tentativa explícita de vender gato por lebre.
Outra pegadinha, extremamente comum nos vinhos nacionais e sul-americanos, é vender “Reservado” como se fossem grandes vinhos e cobrar mais caro por eles.
As legislações, por estas bandas, ainda não chegaram a este grau de sofisticação a ponto de definir como um vinho pode receber a chancela de Reserva ou outra denominação.
Como exemplo, no Brasil só existem dois tipos de classificação, ambas para definir as regiões onde o vinho é produzido: IP ou Indicação de Procedência, que são Pinto Bandeira (RS), obtida em 2010; Vinho de Uva Goethe (SC) em 2012; Altos Montes (RS) em 2012; Monte Belo (RS) em 2013; Farroupilha (RS) em 2015 e a DO, Denominação de Origem, Vale dos Vinhedos, que reina sozinha até o momento. Nos demais países as legislações são análogas.
“Reservado”, só para os não iniciados…
Saúde e bons vinhos!
Vinho da Semana: um Malbec AOC Cahors, o que equivale a uma DO.
L’Infini Malbec Cahors AOC 2014 – $$
Esse vinho tinto possui um tom escuro profundo, com aromas de amêndoas torradas e baunilha. Na boca, possui um paladar sedoso, frutado e cremoso com sabores de ameixa e amora.
Harmoniza com carnes grelhadas, frios e queijos.
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