26 de fevereiro de 2024
Sylvia Belinky

O vice-general


Temos tantas coisas dentro da gente que jamais serão ventiladas pois nossa autocensura não permite e jamais irá fazê-lo…
Quando ouço alguns dos nossos candidatos, ao contrário, vemos que muitas vezes, com apenas meio minuto de propaganda, se desnudaram e nossa censura começa a apitar dentro da gente…
Um exemplo claro de ausência de censura é o candidato à vice-presidência do Bolsonaro. A primeira vez que eu o ouvi, na primeira entrevista que ele deu à televisão; e vamos colocar aqui “à televisão” mesmo, não vamos dar nome à rede porque isso absolutamente não é pertinente, as versões são as mesmas e… as aversões também!
Mas, voltando ao general Mourão, nesse primeiro momento, deveria estar bem alerta, porque só deu respostas inteligentes, claras, e soube escapar de várias saias justas, o que, para um general, é coisa pra burro – como os generais dos tempos da ditadura.
Este general, diferentemente daqueles, é letrado, culto, fala bem, conhece a fundo o país e suas mazelas, sabe das nossas posições em relação aos nossos países vizinhos, dá nome aos bois e confere com os próprios jornalistas, que acabaram ficando mudos… provavelmente, embasbacados com tanta clareza e erudição!
E aí, deu-se o atentado e ele se viu tendo que responder à imprensa, sempre pronta a fazer perguntas capciosas. O presidente pelo qual ele responde é, diferentemente dele, um zero à esquerda, um ignorante confesso de tudo o que se passa no país e, como ele mesmo coloca, não sabe nada nem de economia, nem de saúde, nem nem…
E deu no que deu: o general soltou o verbo, falou o que pensa dos negros, dos índios, de mãe e avó sustentando a casa sozinhas, sem marido, tendo parido machos que serão candidatos… a aviãozinho nos morros onde vivem!
Diante do estranhamento da imprensa, dos candidatos de esquerda e, na verdade, de alguns da direita também, o general deu a entender claramente que, caso o capitão fique sem palavras, ele as terá todas e sem papas na língua…
E será tão sutil quanto o foi o general Figueiredo, quando disse preferir o cheiro dos cavalos ao cheiro do povo…

Sylvia Marcia Belinky

Tradutora do inglês, do francês (juramentada), do italiano e do espanhol. Pelas origens, deveria ser também do russo e do alemão. Sou conciliadora no fórum de Pinheiros há mais de 12 anos e ajudo as pessoas a "falarem a mesma língua", traduzindo o que querem dizer: estranhamente, depois de se separarem ou brigarem, deixam de falar o mesmo idioma... Adoro essa atividade, que me transformou em uma pessoa muito melhor! Curto muito escrever: acho que isso é herança familiar... De resto, para mim, as pessoas sempre valem a pena - só não tenho a menor contemplação com a burrice!

Tradutora do inglês, do francês (juramentada), do italiano e do espanhol. Pelas origens, deveria ser também do russo e do alemão. Sou conciliadora no fórum de Pinheiros há mais de 12 anos e ajudo as pessoas a "falarem a mesma língua", traduzindo o que querem dizer: estranhamente, depois de se separarem ou brigarem, deixam de falar o mesmo idioma... Adoro essa atividade, que me transformou em uma pessoa muito melhor! Curto muito escrever: acho que isso é herança familiar... De resto, para mim, as pessoas sempre valem a pena - só não tenho a menor contemplação com a burrice!

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