Meu Google particular


Sou do tempo em que não existia Google, o que para mim não fez falta: eu, uma felizarda, tinha o “meu” Google particular! Meu maior orgulho quando pequena – e mesmo depois de grandinha – era dizer para os meus amiguinhos: “Meu pai sabe! vou perguntar pra ele!”
E era a absoluta verdade! Meu pai, imigrante como todos da minha família, vinha de um ambiente cultural vasto e eclético e sabia muito a respeito de quase tudo. Fluente em russo, alemão e inglês, tinha sólidos conhecimentos de espanhol e de francês – além de ter tido grego e latim na escola – era um curioso e leitor voraz!
Dono de uma memória privilegiada conhecia a vida dos escritores, pintores, cientistas, compositores, bem como suas principais obras e sabia uma enormidade sobre história e geografia. Chegando ao Brasil com 9 anos, já tinha consolidados os conhecimentos mais diversos.  Muito se deve também ao fato de que, quando criança, todos passassem muito tempo dentro de casa devido aos rigores do inverno na Letônia e, tanto meu avô como minha avó, também eram donos de uma cultura muito vasta.
Basta imaginar que minha avó chegou de navio ao Brasil com os três filhos (meu avô veio uns meses antes, para “preparar o terreno”) e, no dia seguinte à sua chegada, em 1929, começou a clinicar, uma vez que era… cirurgiã dentista, formada pela Universidade de Moscou – além de transformar sua casa, na Rua Jaguaribe, ao lado da Santa Casa,  numa pensão para imigrantes!
Eram tempos duros, mas bons tempos, em que os imigrantes recebiam muito da gente deste nosso país, mas também contribuíam com seu trabalho, seu conhecimento… E, na época, os colégios eram excelentes e os professores tinham uma formação primorosa e se vivia muito em família, pais, avós; principalmente avós, que tinham muito o que contar… e ensinar!

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