9 de agosto de 2022
Sylvia Belinky

As eleições e o voto útil


Nunca pensei que meu voto poderia ser um voto útil, porque essa ideia não me agrada. Mas, certamente, não podemos deixar acontecer – e essa é, infelizmente, uma possibilidade real – um segundo turno com Bolsonaro e o PT de Lula, “o Inocente” e de José Dirceu (livre, apesar dos trinta anos de pena, sabidamente vingativo e revanchista) na pessoa do Haddad – mais conhecido como “Andrade” no nordeste…
O resultado, tanto de um cenário como de outro, seria catastrófico.
Meu irmão, professor na FGV e colaborador da Rede Sustentabilidade, esteve em casa neste último final de semana. Com a conversa, sempre política, ele teve uma ponderação que mexeu comigo e que vou repassá-la, achando que pode ser útil: é algo que nunca teria me ocorrido, mas, que nada tem de absurda, por ser extremamente lúcida.
Ele comentou que, para conseguir os votos das mulheres e de gente da centro-esquerda, que jamais votaria no Bolsonaro, a opção teria de ser a Marina, que já teve vinte milhões de votos na outra eleição. Num primeiro momento fiquei chocada; não gosto da Marina porque tenho horror a crente na política, treinado que é a falar bem e convencer os trouxas desavisados: vide Crivella, Garotinho e “Garotinha”, Eduardo Cunha…). E, também, porque ela tem o mau hábito de sumir da raia, findas as eleições, e não tomar posição em resposta a algum questionamento incômodo.
Entretanto, ela conta com o Eduardo Giannetti da Fonseca como seu assessor econômico, que é um sujeito equilibrado, que disse e diz coisa com coisa, além de estar cercada de gente boa e bem intencionada. E, sem dúvida, ela seria capaz de atrair os votos das mulheres, que representam mais do que 50% do eleitorado.
O que isto nos garante?
Não permitir que o PT suba novamente ao Poder, liquidando com o Ministério Público e a Lava-Jato, aparelhando de vez o Estado e nos transformando em uma segunda Venezuela – mas, bem maior e bem pior, em uma recessão permanente.
Livra-nos também de um milico ignorante, truculento e preconceituoso, que defende armar o povo e descer a “porrada” em quem não estiver de acordo, leia-se,  em todos que, a seu ver, representam as “minorias” deste país: os negros, os gays, os índios… e, claro, as mulheres!
Meu candidato, Geraldo Alckmin, com tudo o que se possa ter contra ele, tem 20 anos de governo no maior e mais importante estado da União e essa experiência para um Presidente da República seria mais do que bem vinda, mas sua candidatura não parece que vai decolar.
Assim, a menos que a candidatura de João Amoedo tenha uma ascensão meteórica, meu voto é útil: na Marina.

Tradutora do inglês, do francês (juramentada), do italiano e do espanhol. Pelas origens, deveria ser também do russo e do alemão. Sou conciliadora no fórum de Pinheiros há mais de 12 anos e ajudo as pessoas a "falarem a mesma língua", traduzindo o que querem dizer: estranhamente, depois de se separarem ou brigarem, deixam de falar o mesmo idioma... Adoro essa atividade, que me transformou em uma pessoa muito melhor! Curto muito escrever: acho que isso é herança familiar... De resto, para mim, as pessoas sempre valem a pena - só não tenho a menor contemplação com a burrice!

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