5 de março de 2024
Colunistas Sylvia Belinky

Um gato de óculos


Honesta e sinceramente, nunca tive muuuuuiiiito apreço pela humanidade, exceção feita àquela parte da humanidade que vejo sempre com óculos cor-de-rosa, os meus amigos que, como diz meu marido, para mim, não têm defeitos…
Digamos que eu sei que têm, mas não é permitido que ninguém fale deles ou os aponte, porque eu os escolhi um a um com o máximo cuidado e eles têm qualidades maravilhosas: todas as que eu julgo necessárias para esquecer completamente de seus defeitos!
Essa ideia dos óculos me fez lembrar de um filme maravilhoso, beeeeem antigo, dos anos 60 imaginem vocês: um filme tcheco que se chamou, em português, “Um dia, um gato” – recomendo a todos que não viram, que vejam – e, em tempos bicudos como esses que vivemos agora, realmente IMPERDÍVEL!
A ideia do filme é simples e genial: uma companhia circense chega em uma cidadezinha e, entre muitos personagens, estão um mágico, a Juventude (sim, a própria) e esse gato de óculos escuros, que têm poderes mágicos.
Durante a performance do circo, a Juventude tira os óculos do gato e eis que todas as pessoas que estão na platéia ficam da cor de seu caráter e de suas atitudes! Assim, os mentirosos são roxos, os falsos, amarelos, os ladrões, cinza, os apaixonados, vermelhos…
Essa ideia me veio quando li, no Facebook, uma frase que pessoas usaram como piada e que era algo assim: “Como agora estou preso em casa com minha mulher, tenho conversado bastante com ela. Parece uma boa pessoa!”
Não é interessante que, se pensarmos bem, é o que nos está acontecendo? Estamos todos, obrigatoriamente, convivendo com nosso marido, nossa esposa, nossos filhos e, presos em casa; o celular que, desde que surgiu, nos aparta do mundo real não é mais suficiente: estamos TODOS dentro de casa sem poder sair!
Sim, porque a carga de notícias acerca do Corona vírus passa a se repetir e ninguém consegue só ficar digitando no Whatsapp, não há grandes novidades a compartilhar e, todos presos em casa, nos olhamos, dividimos tarefas e nos estressamos também: antes, chegávamos em casa cansados, tomávamos um banho, jantávamos, víamos um pouco de TV, celular e…cama!
Agora não: estamos nos vendo TODOS OS DIAS e durante O DIA TODO, sem ter ideia de por quanto tempo mais…
Esse filme tão antigo, faz uma crítica aos costumes, atitudes e é particularmente especial para nossas condições de hoje, dessa semana, da próxima possivelmente… Vamos ver?! Ou, para quem viu, vamos rever?!…
E depois vamos discutir a respeito do meu, do seu apreço pela humanidade, essa que está do seu lado agora…

Sylvia Marcia Belinky

Tradutora do inglês, do francês (juramentada), do italiano e do espanhol. Pelas origens, deveria ser também do russo e do alemão. Sou conciliadora no fórum de Pinheiros há mais de 12 anos e ajudo as pessoas a "falarem a mesma língua", traduzindo o que querem dizer: estranhamente, depois de se separarem ou brigarem, deixam de falar o mesmo idioma... Adoro essa atividade, que me transformou em uma pessoa muito melhor! Curto muito escrever: acho que isso é herança familiar... De resto, para mim, as pessoas sempre valem a pena - só não tenho a menor contemplação com a burrice!

Tradutora do inglês, do francês (juramentada), do italiano e do espanhol. Pelas origens, deveria ser também do russo e do alemão. Sou conciliadora no fórum de Pinheiros há mais de 12 anos e ajudo as pessoas a "falarem a mesma língua", traduzindo o que querem dizer: estranhamente, depois de se separarem ou brigarem, deixam de falar o mesmo idioma... Adoro essa atividade, que me transformou em uma pessoa muito melhor! Curto muito escrever: acho que isso é herança familiar... De resto, para mim, as pessoas sempre valem a pena - só não tenho a menor contemplação com a burrice!

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