20 de abril de 2024
Colunistas Sylvia Belinky

Construções

Tenho bastante dificuldade em entender, não apenas o absurdo aumento das edificações aqui em São Paulo. Numa única rua estreita, de mão única, pude contar 9 prédios sendo construídos – como imaginar um número de bolsos assim tão privilegiados, que comprarão todas as unidades oferecidas?

Mais, quem as estaria financiando e com que garantias…

Temos uma pessoa conhecida por nós, pelos muitos golpes que já aplicou no mercado, que disse um dia, para quem quisesse ouvir:

“Se você estiver em grandes dificuldades financeiras, para falir, escolha em seu guarda-roupas, um dos ternos mais elegantes que você tiver, vá até uma concessionária de veículos de alto luxo – essa é uma providência que sempre dá certo em determinados locais e este é um desses, infalível!”. Vá bem vestido e você alugará o carro mais caro de que dispuserem!

Convide outro nome tão conhecido como o seu, ligue para alguém da mídia em busca de um “furo de reportagem” e encontre-o num restaurante da moda. Lá anuncie que está comprando um jatinho de um magnata árabe, mais difícil de ser confrontado do que um americano, por exemplo…

Em seguida, espere pelas notícias celeremente veiculadas em sites de fofocas internacionais. Receba as diversas ofertas de crédito com desdém e pronto! Sua falência cairá como uma bomba no meio dos negócios: “Mas ontem mesmo, ele estava comprando um jatinho de um magnata árabe do petróleo…”

A mesma impressão me dá essa proliferação indiscriminada de prédios novos, uns ao lado dos outros, com mais de 30 andares cada um, em ruas em que, nem empilhados uns sobre os outros, os carros de cada condômino caberiam, caso decidissem sair, todos ao mesmo tempo!

Quem autorizou esse absurdo? Quanto pôs no bolso por essa autorização? Quantas unidades de apartamentos?

Ademais, há construtoras anunciando seus imóveis, considerando um “plus”, clocando piso neles, nicho para box no banheiro e, pasmem, lavabo, insistindo que não são estúdios, mas apartamentos de 35m²!

No tempo em que eu poderia pensar em comprar um imóvel, vir com piso, azulejos, isso era considerado itens de acabamento, da mesma forma que paredes ou tomadas!

Hoje, o tamanho dessas unidades é tão mínimo que a construtora tenta convencer você de que se trata não de uma quitinete – como eram chamados esses cubículos antigamente – comparativamente “mansões” perto da metragem oferecida hoje, para ser paga em até 30 anos – dependendo do bairro, a módicos R$ 17.000,00 o m²…

E, “chique no último”, além de “varanda gourmet”, também vêm com… paredes! Um negócio da China – digo, das Arábias!

Sylvia Marcia Belinky

Tradutora do inglês, do francês (juramentada), do italiano e do espanhol. Pelas origens, deveria ser também do russo e do alemão. Sou conciliadora no fórum de Pinheiros há mais de 12 anos e ajudo as pessoas a "falarem a mesma língua", traduzindo o que querem dizer: estranhamente, depois de se separarem ou brigarem, deixam de falar o mesmo idioma... Adoro essa atividade, que me transformou em uma pessoa muito melhor! Curto muito escrever: acho que isso é herança familiar... De resto, para mim, as pessoas sempre valem a pena - só não tenho a menor contemplação com a burrice!

Tradutora do inglês, do francês (juramentada), do italiano e do espanhol. Pelas origens, deveria ser também do russo e do alemão. Sou conciliadora no fórum de Pinheiros há mais de 12 anos e ajudo as pessoas a "falarem a mesma língua", traduzindo o que querem dizer: estranhamente, depois de se separarem ou brigarem, deixam de falar o mesmo idioma... Adoro essa atividade, que me transformou em uma pessoa muito melhor! Curto muito escrever: acho que isso é herança familiar... De resto, para mim, as pessoas sempre valem a pena - só não tenho a menor contemplação com a burrice!

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