
Mas não é que de onde menos se espera é que surgem os problemas imaginários mais inusitados, deixando de queixo caído alguém que se vê vacinada há tempos a respeito do que os homens são capazes no quesito ignorância e a busca eterna pelo tão conhecido pelo em ovo?
A questão é a seguinte:
Como todos sabemos, Israel encontra-se em conflito armado contra o Irã e o grupo Hezbollah do Líbano. Na Cidade velha de Jerusalém estão os três principais locais sagrados do Islã, do Cristianismo e do Judaísmo, que são a Esplanada das Mesquitas, a Igreja do Santo Sepulcro e o Muro das lamentações.
Mas nem todos sabem que no dia 20 de Março deste ano o Irã enviou um míssil em direção à Israel, devidamente interceptado, com seus fragmentos caindo próximo ao Muro das lamentações e à Mesquita de Al-Aqsa, causando ao menos um ferido que foi enviado ao hospital.
O ataque fez parte de uma série de misseis iranianos disparados visando partes sensíveis da cidade de Jerusalém.
E é aí que tem início a mais um drama desnecessário, me parece, em relação a fato que acontece em momento de exceção e de duração transitória.
Explico.
Israel fechou a área contendo os três locais sagrados desde o fim de Fevereiro devido ao conflito com o Irã sob a alegação que existe risco de ataques de mísseis – risco esse confirmado com o míssil que foi interceptado nas proximidades dos locais sagrados – e falta de abrigos protegidos adequados para multidões nessa área histórica.
Pois bem.
Como todos sabemos, o mundo católico inicia nesta semana a Semana Santa, que ocorre nos sete dias que antecedem a Páscoa, do Domingo de Ramos ao Domingo de Páscoa.
Em virtude do fechamento das áreas sagradas por questões de segurança, em que está incluída a Igreja do Santo Sepulcro, o Cardeal Pierbattista Pizzabella, o patriarca latino de Jerusalém, não pôde realizar o ritual do Domingo de Ramos, ainda que tenha presidido uma celebração da Palavra na Basílica de todas as Nações e ao final desta celebração tenha concedido uma benção solene com a Relíquia da Santa Cruz.
Além disso, celebrou uma missa para um grupo limitado de fieis no Mosteiro de São Salvador na Cidade Velha de Jerusalém, local considerado seguro pelos protocolos militares atuais.
Ainda assim, descontente com as restrições, o cardeal classificou a medida como “irracional e gravemente desproporcional”, algo jamais ocorrido durante os últimos dois mil anos de história.
Isso acarretou uma reação – essa sim desproporcional – por parte de presidentes de alguns países e aqui no Brasil, postagens irracionais de influenciadores católicos de Direita, que de maneira irresponsáveis, levaram desinformação e incitação de sentimentos de ódio em relação à Israel, o que levou a comentários inacreditáveis de imensa ignorância e constrangimento por parte de católicos que seguem tal influenciador, prestando um enorme desserviço a católicos e judeus, causando um conflito dispensável em tempos já tão difíceis ao afirmar que os judeus perseguem cristãos em todo o mundo e têm a pretensão de varrê-los do mapa.
Com o fato tomando proporções mundiais, o Presidente de Israel, Isaac Herzog ligou para o cardeal Pizzabela e reafirmou o compromisso inabalável de Israel com a liberdade de religião para todas as fés e com a manutenção de livre acesso aos locais sagrados de Jerusalém.
Netanyahu também veio a público afirmando que não houve má fé no fechamento dos TRÊS locais sagrados e que a Igreja do Santo Sepulcro está liberada a partir de agora.
Da minha parte, confesso minha perplexidade com o tamanho abissal da ignorância humana, sempre intolerante, sempre disposta a atacar tudo o que vê pela frente, ainda que nada saiba, tudo desconheça, acabando por pronunciar palavras furiosas em direção a aliados que estão em pleno combate contra ditaduras e terroristas e acabam sendo atacados por preocupar-se com a segurança alheia.
Esperanças há muitas, mas não para nós.
Querem levar míssil na cabeça? Que abram todos os portões.
Entrem todos, fiquem à vontade em área de guerra.
Como dizia Bukowiski: – Humanidade, sua puta louca!
Como discordar?

