23 de maio de 2022
Colunistas Ricardo Noblat

O voto é a vacina capaz de erradicar o mal que Bolsonaro representa

Enquanto outubro não chega, só resta fazer tudo ao contrário do que o presidente quer

Vinícius Schmidt/Metrópoles

Guarde esta data: 6 de janeiro de 2022. Ela passará à história como a que inaugurou no Brasil a terceira fase da pandemia da Covid-19. Em um único dia foram confirmados 45.717 novos casos da doença, quase o dobro do registrado na véspera.

O Ministério da Saúde anunciou a primeira morte pela variante Ômicron: a de um homem de 68 anos em Aparecida de Goiânia, município de Goiás, em 27 de dezembro passado. Ele havia sido vacinado, mas sofria também de hipertensão.

A média de casos da doença está em alta pelo nono dia seguido. São 17.100 novos casos por dia. Voltou-se ao patamar de 100 mortes por dia em média. O mundo bateu o recorde de novos casos de Covid registrados no intervalo de uma semana: 9,5 milhões.

Para o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), ”a pandemia não vai acabar até que a gente acabe com ela”. Como? Com vacinas e cuidados básicos: máscara, lavagem das mãos, testes e respeito a medidas de isolamento se necessárias.

Enfim, o que já se sabe, e o que a maioria dos terráqueos vem praticando. O presidente Jair Bolsonaro faz parte da minoria que sabota deliberadamente os esforços universais para vencer o mal, e ontem, mais uma vez, deu sobejas e infames provas disso.

Em entrevista a um canal de televisão do Nordeste, ele reafirmou seu compromisso com a morte e seu desprezo pela vida, inclusive a da sua filha Laura, de 11 anos:

“Eu pergunto: você tem conhecimento de uma criança de 5 a 11 anos que tenha morrido de Covid? Eu não tenho. Na minha frente tem umas dez pessoas aqui, se alguém tem [conhecimento] levante o braço. Ninguém levantou o braço na minha frente”.

Na frente dele só havia assessores e técnicos encarregados da gravação. Nenhum se arriscaria a levantar o braço, como ministros de Estado não se arriscam a entrar de máscara no gabinete de Bolsonaro. Há um general que se vacinou às escondidas.

“Você vai vacinar o teu filho contra algo que o jovem, por si só, uma vez pegando o vírus, a possibilidade dele de morrer é quase zero? O que está por trás disso? Qual o interesse da Anvisa por trás disso? Qual o interesse das pessoas taradas por vacina?”.

A possibilidade de o vírus matar uma criança é de fato menor, mas existe. A Covid já matou mais de 300 crianças menores de 1 ano no Brasil. Se existe vacina, por que deixar que outras morram? De resto, crianças infectadas transmitem a doença a adultos. Então?

“Eu adianto a minha posição: a minha filha não será vacinada. Se você quiser seguir o meu exemplo, tudo bem. Se não quer, tudo bem, é um direito teu”.

O que acontece com os que seguem a orientação de Bolsonaro de não se vacinar e de não vacinar seus filhos e netos? Contribuem para que aumente o número de mortos e de infectados. Por que ele age assim se o entendimento global é de que a vacina salva vidas?

Infelizmente, não há vacina capaz de erradicar o mal que Bolsonaro representa. Ou melhor: há, sim. Ela se chama voto. É uma pena que só possa ser aplicada em massa daqui a nove meses.

Fonte: Blog do Noblat

Jornalista, atualmente colunista de O Globo e do Estadão.

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