26 de fevereiro de 2024
Colunistas Ricardo Noblat

O gambito de Putin foi recebido com cautela pelos Estados Unidos

A ameaça de uso de armas nucleares pelo presidente russo mereceu uma resposta conservadora do presidente americano

Vladimir Putin perde cargo de presidente honorário da Federação Internacional
Foto: Judo Mikhail Svetlov/Getty Images

Não há registro, depois do fim da União Soviética no início dos anos 1990, de alguma potência mundial ter anunciado que poria suas forças nucleares em “prontidão especial de combate”. Ou melhor: não havia. Pois foi o que fez Vladimir Putin, presidente da Rússia, em resposta a retaliações por ter invadido a Ucrânia.

O Instituto Internacional da Paz de Estocolmo estima que a Rússia tenha 6 mil ogivas nucleares. É a maior potência nuclear do mundo – os Estados Unidos são a segunda. Uma guerra nuclear entre Rússia e Estados Unidos tem capacidade para destruir o mundo 11 vezes. Uma vez já bastaria.

O presidente Joe Biden, dos Estados Unidos, poderia ter feito a mesma coisa. Então, a Força Aérea acionaria seus bombardeiros e submarinos nucleares entrariam em alerta máximo. Talvez fosse o que Putin desejasse; é ele que joga com as peças brancas; Biden, com as pretas, não caiu na artimanha do seu oponente.

A chamada “Defesa Eslava” é uma resposta conservadora e prudente à abertura do jogo de xadrez chamada de “Gambito da Dama” (e não da Rainha, como na série). Digamos que Biden valeu-se dela para responder ao lance de Putin. Se não blefa, o antigo espião russo parece estar disposto ao confronto.

Biden deve lembrar o que disse o físico alemão Albert Einstein quatro anos depois do desfecho da Segunda Guerra Mundial:

“Eu não sei com que tipo de armamento a Terceira Guerra Mundial será travada, mas a Quarta será combatida com paus e pedras”.

Por enquanto, pelo menos, Biden optou por diminuir a escalada de tensão. Mas para muitos no governo americano, o gesto de Putin é um sinal de quão rápido a crise na Ucrânia pode se transformar em um confronto direto de superpotências.

Poucos no mundo acreditavam que a Rússia invadiria a Ucrânia. Quando o movimento de suas tropas começou a chamar atenção, despertaram para o que poderia acontecer, mas não acreditaram que seria possível. Limitaram-se a fazer alertas.

A inteligência americana não conseguiu até agora decifrar o “enigma Putin”. Ressente-se da falta de informações seguras que lhe permitam traçar um perfil satisfatório do presidente russo e do seu atual estado de espírito. Sabe pouco a seu respeito.

Em entrevista à CNN, o ex-diretor de inteligência nacional, James R. Clapper Jr., disse em público o que autoridades do governo americano vêm dizendo em particular:

“Pessoalmente, acho que ele está desequilibrado. Eu me preocupo com sua acuidade e equilíbrio.”

Fonte: Blog do Noblat

Ricardo Noblat

Jornalista, atualmente colunista de O Globo e do Estadão.

Jornalista, atualmente colunista de O Globo e do Estadão.

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