13 de junho de 2024
Ricardo Noblat

Há 20 anos: onde a eleição municipal será nacionalizada

Os jornais começam a dizer que os grandes temas nacionais e o desejo do PSDB de reconquistar em 2006 a presidência da República poderão “federalizar” o debate nas grandes capitais por ocasião das eleições municipais do fim do ano. Não creio nisso.

Em São Paulo, será assim. Serra deseja conferir à eleição a marca de julgamento antecipado do governo Lula. Mas nas outras grandes cidades não deverá ser assim.

No Rio, por exemplo, só derrotará César Maia quem for capaz de apresentar um projeto de governo diferente e melhor do que o dele. Isso passará por uma discussão profunda sobre os problemas da cidade – não do país.

Em Salvador, onde o grupo de Antonio Carlos Magalhães (PFL) tem o prefeito de maior popularidade do país, a oposição só terá chance de vencer se convencer o eleitorado de que tem um melhor projeto para a cidade. Mais uma vez isso significará um debate municipal.

O governador Aécio Neves (PSDB), de Minas Gerais, é muito próximo de Lula para querer estimular a “nacionalização” do debate na eleição para a prefeitura de Belo Horizonte.

O candidato mais forte à prefeitura do Recife é, por ora, o deputado Carlos Eduardo, apoiado pelo governador Jarbas Vasconcelos, do PMDB. Jarbas já foi prefeito do Recife. É o governador campeão de popularidade. Não tem porque tentar eleger seu candidato em cima das falhas do governo Lula. Não precisa disso.

A história de eleições municipais mostra que em raríssimos casos o “fator nacional” pesa e se torna decisivo. Foi assim quando Erundina (PT) se elegeu prefeita de São Paulo. Dez dias antes, o Exército invadiu a Companhia Siderúrgica Nacional, em Volta Redonda, e matou três operários. O voto de protesto ajudou a eleger Erundina.

Lula inaugurou a semana com um discurso formal lido para empresários e economistas reunidos no Rio pelo Instituto Nacional de Altos Estudos. Ficou sem graça – e a gente, sem assunto.

Para o bem ou para o mal (e não lhe desejo mal, é claro), Lula rende notícias na certa quando improvisa, dizendo o que lhe passa pela cabeça. Querem acabar com a espontaneidade dele.

Sugiro um abaixo-assinado pedindo de volta o velho e conhecido Lula a que já estávamos acostumados. Bem que ele poderia reaparecer na China, para onde irá no próximo dia 21.

Lá tem comidas estranhas, bebidas fortes, protocolo rígido e banquetes intermináveis. Ou seja: ambiente favorável para que Lula faça das suas.

Fonte: Blog do Noblat

Ricardo Noblat

Jornalista, atualmente colunista de O Globo e do Estadão.

Jornalista, atualmente colunista de O Globo e do Estadão.

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