4 de julho de 2022
Ricardo Noblat

Foi mal, Temer!

temer_por_andre_coelho_-_o_globoMichel Temer, presidente da república (Foto: André Coelho / O Globo)

Até aqui havia sido ministros de Estado, apenas eles, a dizerem bobagens e a criarem embaraços para o governo.
Agora foi o próprio presidente da República, Michel Temer.
Por ter dito o que não deveria ou simplesmente por tê-lo dito em hora inoportuna, o porta-voz da presidência da República foi obrigado a corrigi-lo. A explicá-lo melhor, concedo de boa vontade
Em entrevista a Miriam Leitão, na Globo News, Temer disse que o “teto” de gastos do governo poderá valer por “quatro, cinco ou seis anos”.
A Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 241, que congela a despesa federal no nível de 2017, fala em 10 anos, no mínimo.
Assim ela foi aprovada em primeira votação na Câmara dos Deputados por 366 deputados contra 111 e dois que se abstiveram.
Haverá uma segunda votação ali. E mais duas no Senado até o final do ano.
Se o próprio presidente admite que o que está escrito na emenda poderá ser emendado muito antes do previsto, por que não fazê-lo desde já?
Emenda à Constituição não é – ou não deveria ser – como hímen complacente.  Supõe-se que houve criterioso e sério estudo das contas públicas para se estipular um prazo de 10 anos e não outro.
Não vale a desculpa de que Temer raciocinou com base em possíveis resultados estupendos das contas públicas nos próximos anos para dizer o que disse.
Por mais otimista que seja ou que esteja obrigado a ser, ele sabe que não haverá resultados estupendos em prazo tão curto.
Então?
Então pisou na bola. O que prova uma vez mais que o problema do governo não é de comunicação, nem boa ou má, mas de falta de firmeza.
FONTE: BLOG DO NOBLAT

Jornalista, atualmente colunista de O Globo e do Estadão.

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