
Assim como outro emergente ator brasileiro, chamado Rodrigo Santoro, que levou o nome do Brasil para Hollywood, Wagner Moura é, sem dúvida, um dos atores mais talentosos de sua geração a ser reconhecido internacionalmente. No cinema e nas séries, entrega performances intensas, tecnicamente irretocáveis e reconhecidas dentro e fora do Brasil.
Quando o assunto é arte, ele sabe o que faz, estuda, mergulha no personagem e convence. Por isso, no campo artístico,
a nota é 10 sem discussão. O problema começa quando o ator decide sair do roteiro e assumir, com o mesmo fervor dramático, o papel de militante político ideológico.
Aí, o talento cede espaço ao discurso raso, previsível e alinhado cegamente ao lulopetismo, como se o Brasil fosse um país dividido entre iluminados e inimigos da democracia. A crítica seletiva desaparece, e a idolatria política passa a ditar o tom.
Wagner Moura parece confortável em apontar dedos para tudo o que não se enquadra na cartilha da esquerda, mas evita com rigor cirúrgico qualquer questionamento aos erros, escândalos e contradições do governo Lula. A militância substitui o senso crítico. O artista que poderia contribuir para um debate plural prefere repetir slogans, reforçando uma bolha ideológica que trata divergência como ignorância ou má-fé.
Penso ser, sim, uma grande conquista para o cinema brasileiro. O reconhecimento internacional de um ator nacional deve ser celebrado. O que se torna lamentável é a hipocrisia do governo Lula 3, que se envaidece da conquista de seu ator-militante e a explora politicamente em sucessivas postagens de diversos órgãos oficiais, como se o feito artístico fosse um troféu ideológico.
Ao mesmo tempo, o governo se cala diante da revolução do povo iraniano, que já vitimou mais de 500 pessoas na luta por liberdade, direitos e dignidade. A seletividade moral salta aos olhos.
É legítimo que qualquer cidadão tenha posição política. O problema não é apoiar Lula ou a esquerda, mas transformar a visibilidade artística em palanque permanente, onde não há espaço para nuances, autocrítica ou responsabilidade com a complexidade do país. Quando isso acontece, a mensagem perde força, vira panfleto, e panfleto cansa.
No fim das contas, fica a sensação de desperdício. O Wagner Moura ator engrandece o cinema brasileiro. O Wagner Moura militante, por outro lado, contribui para a polarização rasa, para o “nós contra eles” e para a romantização de um projeto político que já demonstrou, inúmeras vezes, suas falhas.
Para a arte, aplausos. Para a militância ideológica lulopetista, vaias.
Porque talento não deveria servir de escudo para a cegueira política, e muito menos para silenciar tragédias e lutas por liberdade que o mundo inteiro insiste em não ver.

