
Lula 3 corta R$ 11 bilhões das emendas parlamentares
O governo Lula 3 resolveu empunhar, mais uma vez, o velho e conhecido instrumento da política brasileira: o martelo da chantagem.
Com tom explícito de pressão, Lula decidiu vetar R$ 11 bilhões reservados pelo Congresso Nacional para o pagamento de emendas parlamentares no Orçamento de 2026. A medida precisa ser formalizada até esta quarta-feira, prazo final para a sanção do texto orçamentário, e já provoca forte repercussão nos bastidores de Brasília.
O corte não ocorre em um vácuo político. Pelo contrário, acontece em um momento delicado para o governo, que tenta recompor a relação com o Congresso Nacional, especialmente com os presidentes da Câmara e do Senado, Hugo Motta (Republicanos-PB) e Davi Alcolumbre (União-AP).
A movimentação política teve início ainda em dezembro e mira claramente a construção de um ambiente mais favorável para o ano eleitoral, o que torna o veto ainda mais simbólico, e controverso.
Emendas parlamentares, goste-se ou não, são hoje uma das principais ferramentas para deputados e senadores levarem recursos às suas bases eleitorais. Cortá-las de maneira abrupta, em meio a negociações políticas sensíveis, soa menos como ajuste fiscal e mais como recado direto: quem não se alinhar ao Planalto sentirá o peso do orçamento.
É a velha lógica do “ou comigo, ou contra mim”, travestida de responsabilidade com as contas públicas. O discurso oficial fala em equilíbrio fiscal, mas a prática revela seletividade.
Enquanto bilhões são retirados das emendas, muitas delas destinadas à saúde, infraestrutura e ações locais essenciais, o governo segue preservando gastos alinhados às suas prioridades políticas e ideológicas, sem o mesmo rigor. A tesoura corta de um lado, mas é cuidadosamente guardada do outro.
O precedente é perigoso. Transformar o orçamento em arma de barganha institucional enfraquece a democracia e degrada a relação entre os Poderes. Em vez de diálogo republicano, instala-se a retaliação silenciosa. Em vez de consenso, a imposição. O Congresso deixa de ser parceiro e passa a ser alvo de pressão.
Lula, que construiu sua imagem como exímio articulador político, reedita práticas que ele próprio já condenou no passado. A diferença é que, agora, o discurso social serve como verniz para métodos antigos: cooptação, constrangimento e controle orçamentário.
No fim das contas, quem paga a conta não são apenas deputados e senadores, mas a população, especialmente nos municípios menores, que dependem das emendas para tirar projetos do papel.
O martelo da chantagem pode até funcionar no curto prazo, mas, a longo prazo, aprofunda a desconfiança, acirra tensões institucionais e expõe que, no Lula 3, o orçamento deixou de ser instrumento de governança para se tornar, cada vez
mais, uma ferramenta de poder.

