Imaginação Tóxica

Em 1973, Mônica Bergamo,colunista social da FSP, tinha 6 aninhos.

Provavelmente,a infância da princesinha não foi ‘alienada’  pela programação infantil da TV dos anos 70.

Creio que Bergamo não se deliciou com os desenhos Pantera cor de rosa, Flintstones, Jetsons, Scooby-Doo, Família Addams, Zé Colmeia,etc.

Preferia assistir documentários soturnos sobre a Guerra Fria, Vietnam, Revolução Cultural Chinesa, golpes de estado na América Latina e África e os estimulantes episódios da expansão ideológica e territorial da União Soviética.

Ideólogos e engenheiros sociais veem a infância como um período crucial na formação de uma pessoa.

Para esses tutores, crianças ‘aprisionadas’ na magia do mundo e na criação lúdica, acabam se tornando adultos alienados e presas dos valores burgueses.

Ao recordar de forma sucinta e imprecisa as ocorrências no Chile dos anos 70, a princesinha fez uma viagem no tempo e se perdeu nas lembranças da sua triste infância.

Só isso explica a descontextualização da América Latina de então, envolta em complexos contornos históricos que culminaram nos ferozes combates entre esquerda e direita, em estratégias de poder, eleições democráticas versus ditaduras – do proletariado ou dos coturnos-pouco importa -.

Em 1970, Salvador Allende ganhou as eleições diretas para presidente no Chile, com uma maioria de 36,2% dos votos. Pela primeira vez na América Latina, um político socialista chegava ao poder de forma democrática.

Ok! Eleição democrática. Essa é a única comparação possível entre Allende e Bolsonaro. Tudo mais é pura fantasia de quem teve uma infância traumatizada por golpes de estado, guerras e revoluções e pretende reviver esses sentimentos infantis na vida adulta.

Tendo em vista que passados quase meio século (47 anos) as democracias da AL, duramente se consolidaram e a consciência política se ergueu a partir das críticas profundas sobre erros que não se pretende repetir. Sabemos,lamentavelmente,que muitos ainda insistem nos velhos erros. Como nos mostra a mencionada colunista.

Ver hoje a senhora Bergamo desejar reviver os traumas infantis, perguntando aos seus leitores quem ‘aplaude’ sua premissa de ver golpistas tomando o poder como algo factível na atual conjuntura brasileira, me resgata a certeza de que uma ‘boa’ infância é uma dádiva imprescindível à formação de adultos saudáveis que não perdem seus preciosos dias de vida remoendo e distorcendo   traumas do passado distante a fim de suscitar dúvidas sobre o presente.

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