22 de julho de 2024
Yvonne Dimanche

As ciganas


Postando uma foto de ciganos, lembrei-me de uma comunidade deles que viveu na minha rua no Rio. Acredito que eram portugueses, porque todas as noites eles iam a uma adega portuguesa que fica no Largo do Machado. Não falavam com ninguém.
De início todas as mulheres vestiam preto da cabeça aos pés. Um horror, parecia um monte de urubus. Depois acabou esse luto e aí começou um festival de cores. Voaram os urubus e chegaram araras, papagaios e periquitos. Era tanto colorido que doía os olhos. As mulheres eram bonitas, branquinhas de cabelos e olhos castanhos. E como riam e falavam alto. Era uma alegria imensa.
O que eu e o maridão achávamos interessante é que, quando eles iam à adega, os homens ficavam dentro e as mulheres e crianças do lado de fora nas mesas da calçada. Eles bebiam chope garotinho e nunca terminavam o copo. Quando chegava na metade, pediam outro.
Já a mulherada e as crianças tomavam refrigerante e comiam muito. E como riam e falavam alto. Um grupo de mulheres bonitas, gostosonas mesmo, e muito alegres. Não sei como os maridos deixavam suas mulheres sujeitas à cobiça de algum desavisado que quisesse paquerá-las.
Nunca incomodaram ninguém e do mesmo jeito que chegaram, foram embora. Confesso que senti saudades.

O Boletim

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