28 de maio de 2024
Tecnologia

A Samsung fez certo encerrando as vendas do Note 7

5088910221001Foto: Arquivo Google

por: Eric Herrmann
Essa definitivamente não foi a melhor semana para a Samsung. Quem diria que a empresa iria cancelar a comercialização de um dos dispositivos mais importantes do seu portfólio? Contudo, nossa equipe acredita que a Samsung fez tudo do jeito certo, e você?
Acabou. O Samsung Galaxy Note 7 não será mais vendido em lugar algum. Consumidores que ainda têm o dispositivo podem devolvê-lo à loja onde ele foi comprado. Nós já falamos sobre o #note7recall em vários artigos por aqui, então só vou discutir até onde a Samsung agiu corretamente no recall do Note 7.
Review do Galaxy Note 7
Depois de confirmar 35 casos em que a bateria do Note 7 pegou fogo, a Samsung lançou o recall em 2 de setembro. O tom do primeiro comunicado foi leve e fazia parecer mais uma “troca voluntária”, mas oito dias depois, tudo ficou mais sério.
“A Samsung chama os donos do Note 7 para participar imediatamente da troca”.
Esse foi o texto do comunicado do dia 10 de setembro. Unidades de troca estavam disponíveis em vários locais – a rapidez com que isso aconteceu é quase um milagre. Logo depois, donos de Note 7 voltaram às lojas para trocar seus telefones; a próxima notícia ruim chegou quando as unidades de troca também começaram a incendiar.
Em 11 de outubro, o seguinte comunicado oficial foi publicado (do site da Samsung)
“Estamos trabalhando com órgãos reguladores para investigar os incidentes recentes envolvendo o Galaxy Note 7. Como a segurança dos consumidores permanece nossa principal prioridade, a Samsung vai pedir a todas as operadoras e lojas parceiras globalmente que interrompam as vendas e trocas do Galaxy Note 7 enquanto a investigação acontece.
Permanecemos comprometidos a trabalhar diligentemente com as autoridades reguladoras para tomar todos os passos necessários para resolver a situação. Consumidores que possuírem tanto o Galaxy Note 7 original quando o de troca devem desligar o aparelho e interromper seu uso e tirar proveito dos recursos disponíveis”.
Nos foi dito que o Note 7 está permanentemente descontinuado e que não será mais vendido.
Não devemos culpar a Samsung pelas baterias
Os requisitos dos consumidores são claros: queremos baterias de lítio que carreguem rápido. Também queremos capacidade de armazenamento grande, sem que a bateria seja pesada. Mas isso está transformando as baterias em pequenas bombas. Se uma bateria pesasse 7 quilos, teria a mesma quantidade de energia que um quilo de TNT.
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Se ocorresse um curto circuito, não explodiria, mas queimaria sem parar. É exatamente isso que vimos com algumas baterias da primeira geração e também com as unidades de troca do Note 7 (de acordo com o The Verge, isso foi causado por um componente defeituoso, que deveria separar o ânodo do cátodo), e a resposta acertada da Samsung foi parar completamente a entrega dos dispositivos.
Como isso pode ter acontecido duas vezes?
O fato de permitirmos que baterias de íon-lítio sejam levadas em aviões se deve a testes de segurança padronizados e em larga escala. O problema com esses testes é que só podem ser feitos em amostras aleatórias. Isso quer dizer que de 10.000 baterias, só algumas poucas são testadas, supondo-se que as outras quase 10.000 se comportariam da mesma forma que no teste.
Estatisticamente, isso é suficiente. Mas se uma mudança ocorre no processo de fabricação (o fornecedor troca apenas um componente ou se um dos testes interpreta incorretamente ou deliberadamente falsifica o resultado), dezenas de milhares de baterias são enviadas e elas podem não estar em condições ideais.
O fato de isso ter ocorrido tanto na bateria original quanto na de troca do Note 7 é decepcionante, mas não uma completa surpresa. Como descrito acima, existem muitas causas prováveis para a falha. Considerando a pressão que a Samsung sofria, foi impressionante a rapidez com que ela conseguiu oferecer unidades para substituir os 2,5 milhões vendidas. No zelo da batalha, alguém na produção ou na garantia de qualidade talvez não soubesse exatamente qual era o problema, então o erro da primeira leva de produção continuou na segunda.
E a Samsung não tem muitas opções quando o mercado exige baterias nessas quantidades. A produção mundial de baterias íon-lítio é bem apertada, e foi dobrada só com a construção da Tesla Motors’ Gigafactory.
A Samsung estava preparada financeiramente
A agência de notícias Reuters comunicou que de acordo com os relatórios de crédito da Credit Suisse, os problemas com o Note 7 custaram quase 17 bilhões de dólares em perdas. Além disso, ainda há os 1,5 bilhão de dólares para o descarte dos 4 milhões de aparelhos Note 7 fabricados. Não podemos especular sobre efeitos indiretos, como potenciais vendas baixas do Galaxy S8.
Uma vez que a Samsung tem reservas de 68 bilhões de dólares, provavelmente ela será capaz de se recuperar dos danos de curto prazo. Entretanto, problemas dessa magnitude não podem acontecer tão frequentemente. Mesmo que a Samsung tenha muito sucesso nas vendas com seus hotéis, navios-petroleiros ou seguros de vida, essas áreas também têm seus riscos.
Os números da Statista mostram que o conglomerado espera alcançar resultados recordes. Então parece que não precisamos nos preocupar muito com a Samsung. Você pode encontrar mais números na Statista.

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A Samsung fez o que pode, mas infelizmente, não foi o suficiente. O segundo recall certamente seria possível, mas os consumidores confiariam em outro Note 7 se o nome está associado com explosões? A Samsung é conhecida por um bom número de produtos de qualidade e serviço justo, mesmo que os preços sejam altos. Eles não devem estragar essa fama.
Se os problemas com o Note 7 se arrastassem, a sombra deles poderia manchar outros produtos da empresa. Isso não é algo desejável do ponto de vista do marketing. Além disso, em fevereiro, o Galaxy S8 será lançado como o novo top de linha da fabricante, o que a Samsung precisa muito para reanimar as vendas.
Até então, a empresa deveria deixar a poeira do Note 7 baixar.
O que queremos saber agora
A Samsung agora está procurando a causa do problema. Mesmo antes do lançamento do Galaxy S8, os consumidores querem saber exatamente por que o Note 7 pega fogo. Ficou claro que a tecnologia usada nas baterias era perigosa. O que ainda não está claro é por que outros aparelhos não foram afetados.
Então, quem é o culpado pelo problema? E o que será feito para prevenir que esse problema aconteça novamente? A Samsung tem que responder essas perguntas claramente, para que o público saiba que o Note 7 foi uma exceção.
A Samsung vai recuperar minha confiança quando se comunicar com transparência sobre o que aconteceu com o Note 7.
FONTE: ANDROIDPIT

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