Açores, de volta às origens

Muitos de nós, brasileiros, temos ascendência portuguesa. O que não é surpresa alguma. Eu mesma sou uma mistura de portugueses e ingleses, a partir dos meus trisavós. Infelizmente documentos e histórias sobre eles foram se perdendo com o tempo, o que é uma pena!

Com a família do meu marido foi diferente. Com origem portuguesa também, um parente próximo, muito curioso e obstinado, resolver pesquisar sobre seus antepassados. Pesquisou por anos e seguiu certezas e dúvidas esclarecidas através de cartórios, bibliotecas e visitas “in loco” já que residia na Europa. Foi uma empreitava e tanto que rendeu um livro extenso e minucioso, presenteado aos familiares, no qual traça a comprovada história familiar desde o século XIV. Uma preciosidade!

Essa é uma imagem bem representativa da ilha do Faial: um lugar bucólico, com muito verde, poucos habitantes e, claro, o mar sempre presente.
(Fonte: Mônica Sayão)

Toda essa história é para o leitor entender o motivo de nossa viagem aos Açores há alguns anos, especificamente à ilha do Faial. Foi a partir do Faial que o bisavô do meu marido, um homem de negócios bem sucedido, resolveu viajar para o Rio de Janeiro no século XIX, onde se estabeleceu como importador de azeites portugueses e como armador, construindo barcos. Era imperativo conhecermos a ilha e os familiares açorianos!

Mapa com a localização do Arquipélago dos Açores.
A ilha do Faial está há 2h20min de voo a partir de Lisboa. (Fonte: CCTIC)
Detalhe das nove ilhas açorianas. Da esquerda para a direita, Faial é a terceira ilha.
(Fonte: cultura.pt)

Vou começar pela geografia. O Arquipélago dos Açores é composto por nove ilhas: São Miguel, Santa Maria, Terceira, São Jorge, Pico, Faial, Graciosa, Flores e Corvo.

Os mapas acima mostram as ilhas da Madeira e as dos Açores. A ilha da Madeira é bem conhecida dos turistas, não só por suas belezas naturais, que são muitas, mas também pela proximidade com Portugal continental. E também porque é onde nasceu Cristiano Ronaldo, não poderia deixar de mencionar… De Lisboa a Funchal, capital da Madeira, é cerca de 1h15min de avião.

Já as ilhas dos Açores ficam mais distantes, quase no meio do Oceano Atlântico. De Lisboa a Horta, capital do Faial e nosso destino, são cerca de 2h20mim de voo.

Quando o avião se aproximou da curta pista de pouso e bem junto ao mar, sem contar o vento forte, confesso ter ficado assustada. Mas o sorriso largo e amistoso de um primo açoriano que nos aguardava no aeroporto logo aqueceu nossos corações.

Como era hora do almoço esse primo nos levou diretamente a um restaurante onde toda a família açoriana nos esperava. E eram muitos! Foi um misto de alegria e emoção: que gente espetacular, educada e simpática! Ficamos quatro dias em Faial, resgatando histórias familiares, passeando e visitando lugares onde os antepassados haviam vivido.

Vamos conhecer o Faial?

A ilha é pequena, com 21km no sentido leste-oeste e 14km no sentido norte-sul. Seus cerca de 15 mil habitantes residem majoritariamente na capital, Horta.

A principal atividade econômica é a agropecuária, mais a pecuária, com criações de gado e suínos. Mas numa escala proporcional ao tamanho da ilha. Tudo o mais é trazido de fora, seja de Portugal continental ou de outros países.

O Faial com sua capital Horta. O círculo central da ilha é a cratera de um antigo vulcão.
(Fonte: wikipedia.org.pt)

A capital Horta é muito simpática com seu casario branco que nos remete às cidades coloniais brasileiras. Ela se desenvolveu naturalmente ao longo do mar. Tem um porto e também uma marina com posição estratégica para velejadores. A marina é um grande atrativo da cidade porque é cheio de barcos, com gente jovem e alegre.

A capital Horta vista de cima. Essa é a parte central da cidade. Em um extremo da orla encontra-se a marina, e no outro, o porto para embarcações maiores.
(Fonte: Mônica Sayão)
E agora Horta vista sob outro ângulo. A praia à direita é a Praia do Porto Pim, a melhor da ilha para banho. Suas águas são limpíssimas, mansas e no verão a temperatura da água fica em torno de 22C. Dá para ver a marina de longe, na outra porção de mar.
(Fonte: Mônica Sayão)
E agora Horta vista do mar. (Fonte: Mônica Sayão)
Rua principal de comércio no centro histórico da capital. Eram 20h e as lojas estavam fechadas. Somente eu na rua! (Fonte: Mônica Sayão)
Mais um recanto de Horta. (Fonte: Mônica Sayão)
Na praça principal da cidade não poderia faltar um coreto. (Fonte: Mônica Sayão)
O dragoeiro é a árvore mais típica do Faial. (Fonte: Mônica Sayão)
Adorei o prédio da Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários de Faial. O máximo!
(Fonte: Mônica Sayão)
Parte do Forte de Santa Cruz da Horta, junto à marina, abriga hoje um hotel pertencente à rede Pousadas de Portugal. (Fonte: Mônica Sayão)
Uma parte da marina de Horta: ponto de parada de velejadores, principalmente daqueles que fazem longas regatas pelo mundo.
(Fonte: Mônica Sayão)
Uma curiosidade única: os velejadores pintam paredes e pisos ao longo da marina da Horta. É uma tradição, como se fosse um cartão de visita deles.
(Fonte: Mônica Sayão)
Mais da marina com suas pinturas, inclusive na parede ao fundo. Um charme!
(Fonte: Mônica Sayão)
O Peter Café Sport é o ponto de encontro dos velejadores em Horta.
Em frente à marina, é um café/restaurante animado, colorido e com comidinhas bem gostosas. Vale conferir.
(Fonte: Mônica Sayão)
Passeando pela ilha. (Fonte: Mônica Sayão)
Visual muito bonito! (Fonte: Mônica Sayão)
Finalmente vimos as vaquinhas! (Fonte: Mônica Sayão)
Litoral lindo! (Fonte: Mônica Sayão)

O Arquipélago dos Açores faz parte de uma cordilheira submarina. Os picos mais altos da cordilheira eram próximos do nível do mar. Essa é a origem das nove ilhas açorianas, sendo que oito delas surgiram exclusivamente por erupção de vulcões submarinos.

Em Faial há uma grande cratera de vulcão chamada de Caldeira, na parte central da ilha. É para ser um lugar lindo porque a cratera foi preenchida com vegetação exuberante. Maior prova de que o vulcão não está ativo. E por isso há trilhas que muita gente percorre. Mas o clima pode ser impiedoso: por ser o ponto mais alto do Faial, pode ventar, chover, ficar tudo nublado e até um belíssimo dia de sol. Às vezes tudo no mesmo dia.

Nas duas imagens abaixo o leitor verá nossa experiência na Caldeira e a que gostaríamos de ter tido.

Oh vida… foi assim que vimos a Caldeira. (Fonte: Mônica Sayão)
Era assim que gostaríamos de ter visto a Caldeira! (wikipedia.org.pt)

Já ficou claro que os Açores nasceram de erupções vulcânicas. Só de ver a terra quase preta das praias dá para ter certeza disso. De vez em quando um deles entra em erupção. A mais importante delas aconteceu em 1957, e durou um ano. A história torna-se mais interessante porque todo o processo foi documentado por se tratar de episódio junto a uma ilha habitada.

Tudo aconteceu na Freguesia do Capelo, região mais ocidental da Ilha do Faial. Primeiro foram dez dias onde houve mais de duzentos sismos, sem manifestação de vulcão submarino. A partir daí a água próxima à ilha, no Capelo, começou a fervilhar e três dias após, jatos de cinzas vulcânicas com 1.000 m de altura, lançaram uma grossa camada de cinzas sem interrupção por um mês.

E assim continuou por um ano, em maior ou menor intensidade. Como consequência formou-se uma nova pequena ilha no lugar da erupção original, que acabou sendo incorporada à Ilha de Faial pela quantidade de material depositado decorrente do tempo extenso da erupção.

A região chama-se Ponta dos Capelinhos e é o maior atrativo do Faial. É uma visita muito interessante. Há uma área de exposição que explica todo o fenômeno e suas consequências.

É importante ressaltar que houve outras erupções vulcânicas na ilha, mas a de 1957 foi determinante no êxodo de quase metade da população, que emigrou em massa para os Estados Unidos.

Ponta dos Capelinhos em imagem tirada por mim. Somente a faixa de terra em primeiro plano é a original.
Todo o resto é resultado de erupção vulcânica submarina de 1957.
(Fonte: Mônica Sayão)
A Ponta dos Capelinhos com dia de sol, em um ângulo um pouco diferente.
Muito mais bonito, não? (Fonte: uncover.travel.com)

Gostaria de dizer ao leitor que a família de meu marido não emigrou para os Estados Unidos na época dessa grande erupção. A capital Horta, onde moram, está localizada no extremo oposto da Ponta dos Capelinhos. Mas, é claro, sofreram com o episódio todo.

Hoje continuam felizes vivendo nessa ilha tão bonita, singela e interessante.

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6 Comentários

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    Maria Teresa Alves , 27 de fevereiro de 2021 @ 14:42

    Monica, a ilha e muito interessante, está nos meus planos visitá-la. Do arquipélago dos Açores só conheço São Miguel, gostei muito. Parabéns pela exposição, na próxima viagem estará nos meus planos. Quem sabe vamos todas!! Beijos!!

    • Mônica Sayão
      Mônica Sayão , 28 de fevereiro de 2021 @ 13:35

      Maria Teresa querida,

      Sua terra natal é o máximo! Sou louca para conhecer S. Miguel, sei que é muito bonita.

      Quem sabe a gente não faz mesmo um grupinho para lá num futuro?

      Muito obrigada,
      Bjs
      Mônica

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    LEILA MARIA PEREIRA VIEIRA , 27 de fevereiro de 2021 @ 20:15

    Como de costume seu relato nós faz querer conhecer ou revisitar os lugares descritos. Há muito desejo conhecer os Açores, em primeiro lugar porque é a origem de uma das minhas bisavós maternas, porém não sei de qual ilha e também pelas fotos belíssimas que já vi, e a sua descrição só fez aumentar esta vontade. Deve ser muito interessante, como tudo que já conheço de Portugal.

  • Mônica Sayão
    Mônica Sayão , 28 de fevereiro de 2021 @ 13:43

    Leila querida,

    Acho que vc iria adorar! E saber que é o lugar de seus antepassados faz o nosso olhar ser bem diferente. Para mim foi uma emoção!

    Tantas saudades de viajar…

    Obrigada,
    Beijo grande,

    Mônica

  • Avatar
    EdwigesChiapetta Azevedo , 1 de março de 2021 @ 19:18

    Oi Monica, sempre com novidades tão interessantes!Adoro ler suas histórias e ver lugares e fotos sempre linda, bjss

  • Mônica Sayão
    Mônica Sayão , 4 de março de 2021 @ 21:29

    Edwiges querida,

    Muito obrigada pelo carinho de sempre!

    Bjs
    Mônica

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