O problema não é o Coaf

Derrotas de Moro

(Cristiano Mariz/VEJA)

Pouco importa o endereço do Coaf. Na Economia ou na Justiça o Conselho continuará como um dos importantes pilares no combate à corrupção. Foi assim durante o Mensalão, continuou na Lava-Jato, e se mantém também agora quando trata das movimentações financeiras suspeitas do filho do presidente Flávio Bolsonaro e do ex-assessor Fabrício Queiróz. Aquele que, depois de dar explicações inexplicáveis para o dinheiro sem lastro em sua conta, sumiu, ninguém sabe, ninguém viu. Aquele que a Polícia Federal de Sérgio Moro não consegue encontrar.
Combatente implacável contra a corrupção, alçado a super-herói nas manifestações de domingo, Moro é o único derrotado na reforma de seu chefe. Embora o Coaf aqui ou lá não faça diferença no que tange às suas atribuições, Moro foi duplamente abatido: tiraram dele o Coaf e lhe devolveram os índios da Funai, que ele preferia não ter.
Dois reveses a mais para a sua coleção. Já havia perdido no decreto de porte e depois no de posse de armas, que, em ambos os casos, ele pretendia mais brando. E até na nomeação de uma suplente para o Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária. Isso, em fevereiro, quando deveria ter se dado conta que a carta branca que lhe fora prometida pelo presidente não tinha lastro algum.
Para piorar, terá de conviver – no mínimo por dois anos, se tudo der certo – com a indiscrição programada do presidente, que “confessou” ter barganhado a nomeação para o STF se o ex-juiz da Lava-Jato aceitasse tocar o Ministério da Justiça.
Mesmo assim Moro continua fazendo mais sucesso que o capitão, nas redes e nas ruas. E, ainda que revigorado pelo domingão, Bolsonaro sabe que as asas de seu auxiliar têm de ser aparadas com frequência, mantidas no tamanho certo para que a ambição do agora subordinado não extrapole a de “ganhar na loteria” de ser ungido membro do Supremo.
Melhor para o presidente é Moro cuidar dos índios.
Fonte: Blog do Noblat – Veja Abril

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