23 de maio de 2022
Ligia Cruz

Sem nenhuma ternura


É linha dura mesmo. Vamos deixar de hipocrisia e ver a realidade tal como ela é. Os médicos cubanos são meras commodities para a ditadura castrista. A ilha caribenha arrecada cerca de U$ 11,6 bilhões de divisas com seus 50 mil médicos, distribuídos em 62 países dos vários continentes, sendo a Venezuela e Brasil os principais clientes. Portanto, não existe nenhuma intenção generosa e muito menos especializada, é só comércio mesmo. Cada médico destina 75% do que ganha ao governo Castro e vive com o que sobra. Daí deriva a principal receita do país hoje, acima até mesmo do turismo.
Para garantir que os profissionais não quebrem o acordo, eles são proibidos de levar a família junto porque seria deserção na certa. Nenhum exagero considerar o programa como escravagista, devido as condições do recrutamento. O que não causou nenhum arrepio aos governos petistas que aprovaram esse programa. Nem mesmo o fato de que a maioria desses profissionais não teve a validação do CRM deles para atuar no Brasil — um contingente acima de 8 mil profissionais. Se há exceção, é irrelevante.
A desculpa para isso foi o fato de os médicos formados no Brasil não trabalharem nas regiões mais ermas. Isso é um fato, mas há poucos atrativos para arregimentar médicos para esses locais, a começar pelas condições precárias dos postos de saúde, que não motivam ninguém.
O brasileiro que habita as periferias mais isoladas do país quer apenas serviços respeitáveis. Ele não pede o passaporte de quem o atende no SUS porque crê que o governo está cumprindo seu papel. Apenas espera que o profissional do jaleco branco dê um diagnóstico preciso e uma opção de tratamento para seus males. Mas a situação não se resume a serviços médicos. Se não há acesso a medicamentos e a tratamentos complementares, dá no mesmo. Não interessa se o sotaque do médico é cubano, venezuelano ou português de Portugal. Tanto faz.
Portanto, o programa “Mais Médicos”, implantado por Dilma Roussef, está longe de ser uma iniciativa caridosa para atender o cidadão. Foi mais um puxassaquismo travestido em acordo legalizado para gerar receita ao parceiro comunista. De quebra, uma medida eleitoreira para dar uns afagos no povão.
De 2014 até hoje, os mais de 8 mil médicos cubanos trazidos ao Brasil para atender o cidadão que habita nas periferias país afora, na verdade, concorrem com os brasileiros. Tanto que a maioria do cubanos foi alocada nos estados de São Paulo e Bahia e sem o Revalida. Bem ao contrário do que se diz.
Neste ano, se formam 25 mil médicos nas 310 faculdades de medicina do país, elevando a proporção de 10,34 profissionais para cada 100 mil habitantes.
Nos EUA é de 6,5 para o mesmo montante e, na Suíça, 9,4.
Até 2020 o número de formados será de 32 mil. Ou seja, o principal desafio de Jair Bolsonaro na Saúde será o de implantar estruturas de saúde onde não há. Os estados mais deficitários são Maranhão, Pará, Amapá e Acre. O PT não resolveu esses problemas.
O rompimento do contrato por parte de Cuba é dramático somente para os médicos que perderam seus empregos. Em contrapartida, podem ver suas famílias. Pelo menos, os que estão partindo levam na bagagem uma SmarthTV e itens que não podem comprar na Ilha.

Jornalista, editora e assessora de imprensa. Especializada em transporte, logística e administração de crises na comunicação.

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