26 de fevereiro de 2024
Colunistas Ligia Cruz

Os pais do Real

A passarinhada fugiu do ninho assustada com a revoada abrupta de tucanos desplumados.

Pois é, quando pensamos que já vimos de tudo, a política nos revela suas facetas mais improváveis e joga por terra nomes até então respeitados.

Os tais tucanos, que outrora empenharam esforços para criar a nova moeda nacional e livrar o país do caos econômico, saíram do passado para se aliarem àquele que mais aviltou as finanças públicas e deflagrou a maior corrupção que a pátria assistiu. Um contrassenso.

Tamanha lambança deveria, no mínimo, causar pejo ao grupo de economistas que fez frente à inflação estratosférica que vinha surrando os brasileiros desde a redemocratização. Mas não.

Os pais do Plano Real, respeitados senhores da redenção econômica, manifestaram apoio público ao candidato petista à presidência.

Imagem: Google Imagens – O Rebate

Qual é o sentido dessa tremenda discrepância moral? Provavelmente, atendendo ao chamado do nonagenário tucano e chefe do clube, se renderam aos brios do progressismo globalista, que afronta as democracias e as liberdades civis. Tempos difíceis para quem pensa fora da caixa.

Para os políticos, é um tremendo pecado imiscuir-se de opinião quando a correlação de forças aperta. Para eles, a vaidade e os apegos são mais importantes do que calar.

FHC fez o que se esperava que fizesse ao juntar-se, mais uma vez, àquele com quem combinou revezar o poder, tomando como noiva alguma personalidade do centrão. A banda podre da vida pública que não se extinguirá enquanto houver a quem comprar.

Pérsio Arida, Edmar Bacha, Armínio Fraga e Pedro Malan declararam voto ao Lula, no segundo turno das eleições. Essa gente odeia o anonimato e flerta com os que podem lhes oferecer cargos e prestígio.

Fazer parte da história com incontestável exemplo de serviços prestados pareceu pouco para eles. E sair na foto ao lado de um ladrão não foi exatamente um problema.

Todo mundo passa, envelhece, fica demodê diante de novos desafios e cenários que o tempo traz. Mas esses não caducam, persistem de boca torta e babando. Como o tal ditado diz: “quem já foi rei, nunca perde a majestade”. E viva o progressismo lacrador e arrogante!

Pelo que se vê, o Plano Real foi muito mais realista para quem fez fama e nos roubou, em conluio com as ditaduras de esquerda latino-americanas e africanas, que jamais planejaram nos ressarcir. Foi tudo engendrado: “eu finjo que cobro, você finge que paga e está tudo certo”. Somos todos otários, pobretões e omissos. Nosso erro é não rever a história continuamente e extirpar os maus exemplos.

O mais estranho de tudo é que de um lado temos os salvadores da pátria que nos tiraram do fundo do poço; do outro, os que aprofundaram o poço para enriquecer a si mesmos e seus parceiros de conchavos. Todos criminosos por quanto fazem e apoiam a quem continua condenado por crimes que não caducaram, apenas mudaram de CEP, por oportunismo “juridiquês”.

É bom mesmo que todos mostrem a cara, embora nunca nos tenham enganado. Pena não terem ao menos se mantido neutros.

Depois dessa, os velhos tucanos terão que buscar abrigo em outras paragens porque o partido que fundaram derreteu. E o que tínhamos de respeito por eles também.

Ligia Maria Cruz

Jornalista, editora e assessora de imprensa. Especializada em transporte, logística e administração de crises na comunicação.

Jornalista, editora e assessora de imprensa. Especializada em transporte, logística e administração de crises na comunicação.

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