12 de agosto de 2022
Colunistas Ligia Cruz

A disputa do céu terráqueo

Não bastasse a poluição em terra, empresas privadas estão lançando satélites na atmosfera para expandir seus negócios.
A Amazon, a maior empresa de comércio eletrônico do mundo, liderada por Jeff Bezos, recebeu licença para lançar 3.000 desses objetos, para somar-se aos 2.500 já existentes na órbita terrestre.
O objetivo é melhorar a performance global de seus serviços de telecomunicações e inteligência artificial para a ampliar mercado.
Mas qual é o limite dessa prática? Não há regramento efetivo, nem acordos entre os países, nem para que cada um recolha seu lixo espacial. Mesmo a Nasa e outras agências espaciais ainda não têm soluções efetivas.
Estima-se que hoje há cerca de 200 milhões de fragmentos de até 10 centímetros gravitando e mais 170 mil que podem chegar ao tamanho de um ônibus. É de se imaginar o que pode acontecer com a queda desses objetos em terra, mesmo os mais minúsculos.
O astrônomos já reclamam do excesso de satélites gravitando a Terra, pois prejudicam as atividades de observação e das agências espaciais. E essa última notícia já causou desconforto no meio científico. Até porque o que se temia já ocorreu em 2009, quando dois satélites se chocaram. Embora muitos fragmentos queimem ao entrar na atmosfera, os maiores podem atingir o solo e quem estiver nele.
Além de dificultar a observação dos telescópios em terra, não se conhece totalmente os riscos da imensa carga de sinais gerada por esses satélites. Porém, se há reflexos nocivos à saúde por antenas de telefonia celular nas cidades, é de se imaginar os riscos desses satélites privados.
E, se a moda pega, logo essas megacorporações terão latifúndios sobre nossas cabeças.
É preciso que a comunidade científica se posicione a respeito e os países criem regras antes que essa prática se torne corriqueira fonte de problemas. Há mais coisas no céu terráqueo do que se imagina.

Jornalista, editora e assessora de imprensa. Especializada em transporte, logística e administração de crises na comunicação.

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