22 de fevereiro de 2024
Colunistas Junia Turra

Animal Desumano

Hoje eu vi a foto do Urso. Um pobre e indefeso cachorro abandonado que estava em vários sites para adoção. Faminto, ele parou em frente a uma pastelaria na Rua Roma, em São Bernardo do Campo, São Paulo.

O dono, um chinês, não pensou duas vezes – jogou uma panela com óleo quente nos olhos do cachorro. As pessoas que passavam, chocadas, resgataram o animal. Apesar do socorro, ele não resistiu e morreu.

O fato aconteceu há 11 anos.

Será que este chinês tinha visto de permanência no Brasil? Porque não falava Português.

Mas deveria perdê-lo.

Na China há um concurso anual para escolher o melhor cozinheiro de peixes. Os animais são expostos vivos e sobre eles são jogados molhos e caldos quentes. Se o peixe morrer, o mestre-cuca é desclassificado.

Se é pouco, que tal ir a um restaurante elegante em Beijing?

Eles servem fetos perfeitos que chegam à mesa banhados em ervas. É só escolher a parte que mais lhe apetece e degustar. Interessados em preparar o próprio quitute sem gastar muito? Olhem na sarjeta mais próxima, no meio do trânsito. Lá estarão fetos ou bebês recém-nascidos que são jogados ao Deus dará, porque são meninas e não meninos. Isto não é conversa pra boi dormir: é fato!

Como é fato também que compramos muitos produtos da China fabricados por crianças ou adultos em trabalho escravo. Quem se importa, não é? O que importa é o preço.

Se na China eles podem comer de rato a feto e matar aleatoriamente até quem é contrário ao regime, no Brasil existe uma lei que por mais frágil que seja, fala sobre “maus tratos aos animais”.

É crime!

Mas na maioria das vezes não dá em nada. Dão de ombros e fica o dito pelo não dito. No máximo, se houver uma condenação paga-se algumas cestas básicas.

Mas se muitos falarem, se muitos protestarem, talvez as coisas mudem. Se muitos se conscientizarem…

Duvido que o tal chinês jogasse óleo quente nos olhos do cachorro se soubesse que poderia ser preso e ainda ter que pagar multa alta.

Todas as espécies nasceram prontas. Nós os únicos em processo de construção. Destruímos, torturamos.

Atos assim não estão na natureza de nenhuma outra espécie. Eles não torturam, não se reproduzem indiscriminadamente, não ocupam espaço mais do que devem. Somos nós que desequilibramos tudo e destruímos. Mas muitos de nós não são assim, amamos, salvamos, nos dedicamos, construímos algo maior. Não é possível aceitar isso.

Quem se diverte com o sofrimento de um animal, quem promove queimadas, quem derruba árvores e destrói a natureza por dinheiro e vantagens medíocres cabe na frase de Oscar Wilde:

“O diabo é muito otimista se pensa que pode piorar o Homem.”

Mas o Universo é mais e caminha para onde deve ir independente da maldade humana.

E seja do jeito que for, “a cada atitude do bem, ainda que seja esta uma única atitude, mostra que o mal está longe de vencer. Cada um que protege, que socorre, que acolhe, que cuida… afasta o mal. É disso que precisamos.” (Papa João Paulo II).

Junia Turra

Jornalista internacional, diretora de TV, atualmente atuando no exterior.

Jornalista internacional, diretora de TV, atualmente atuando no exterior.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *