26 de maio de 2022
Joseph Agamol

Ô Cride! Eu tô lá na Flique!


Vocês conhecem a Flique, pessoal? Se não, deviam. A “Feira Literária de Quem Escreve” é uma página supimpa aqui do Face que publica textos de escritores novos e outros já conhecidos.
E tem um textinho meu lá, olha que legal! Acho que não mereço a honra de estar em companhias tão ilustres mas tô felizão!
Agradeço a todos os amigos que me viviam perguntando: “por que você não está na Flique? Por que não manda um texto pra lá?”, e, em especial, ao Toni Araújo, o baiano mais gente boa que conheço – e olha que ser gente boa é pré requisito para ser baiano.
Então é isso: passem lá na página, se puderem, e deem uma moral para o seu amigo.
E se divirtam com os textos de tantas feras! O meu vai aqui, ok?
“SINAIS DOS TEMPOS  – Joseph Agamol
Há coisas que quem nasceu há uns 20 anos desconhece por completo, como se fossem, sei lá, locomotivas a vapor.

Ou dinossauros-avestruz.
São como pequenos cristais de tempo.
Areia de ampulheta.
Uns delicados, outros banais.
O Tempo que surge fragmentado e colhido em uma pergunta, por exemplo, corriqueira há décadas:
– responde meu caderno de perguntas?
E por aí vai. Vamos. Vamos?
Uma imagem que não se saberia a precisão até por uma semana ou mais: revelar uma foto. O papel brilhoso. A surpresa. A decepção. A alegria.
Receber uma carta. Enviar. Perfumar o papel. Marcar com beijo.
Xadrez por correspondência.
Preparar um café sem pular nenhuma parte do ritual. Chaleira. Água fervendo. Coador. Pano. Bule. Xícara.
Cinco canais de televisão. Cinco.
Colocar uma ficha de plástico ao embarcar em um ônibus.
Cinema sem local marcado. Cinema de rua. Assistir todas as sessões do mesmo dia. Simplesmente ficar na sala de projeção.
Chuva de verão de pingo grosso.
Fotógrafos de bairro.
Enciclopédias em fascículos em banca de jornal. Conhecer.
Jornal. De papel. A tinta sujando as mãos.
A carne no açougue embrulhada em papel. De jornal.
Leite em garrafas na soleira das portas, molhadas de orvalho.
Orvalho.
Quando penso nesses bem-quereres, não é como se pensasse em tempos idos, em passados, remotos ou recentes, perdidos.
Não me entendam mal. Não é passadismo.
É mais como pensar em outros planetas, outros espaços-tempos, outras civilizações.
Outro Universo, talvez.

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Professor e historiador como profissão - mas um cara que escreve com (o) paixão.

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