Não se enganem: o atraso do Brasil não é fruto de uma gambiarra

imagem: Patrick Chappatte

Pessoas desonestas intelectualmente usam nossa pindaíba crônica como atenuante para a corrupção endêmica, na base do “ahh, mas aqui sempre foi assim, então, se for para punir tem que exumar o Cabral!”
O Pedro Álvares, bem entendido, aquele que muitos de nós aprenderam que “descobriu” o Brasil por acaso.

Ou seja: a farsa, a burla, o logro, já estão em nosso D.N.A. desde que éramos uma criancinha entre as nações.
Mas o fato é que, nos nossos “left years” – e acho que podemos chamar assim, de “anos de Esquerda”, desde o período FHC até a Lady Deelma – a corrupção disseminou-se como um autêntico esporte nacional.
Futebol? Que futebol? Atualizando a letra de “Inútil”, do Roger do Ultraje a Rigor, a gente nem bola sabe jogar mais, que dirá ganhar!
Pelo que acompanhamos na mídia, roubava-se só pelo prazer, pela arte, pela sensação de ver milhões engordando a conta, só pelo autêntico orgasmo virtual que deve ter sido uma simples consulta de saldo.
Ser corrupto no Brasil tornou-se quase um ato de sofisticação.
Criamos os gourmets da corrupção, os sommeliers do dinheiro público, os chefs da roubatina.
Ninguém se engane, pois.
O atraso do Brasil não é fruto de uma gambiarra: é construído desde o descobrimento.
Depende de nós que não leve mais 500 anos para desconstruir.
Ou metemos a mão na massa ou teremos que redescobrir o Brasil.

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