A primeira vez que vi Sophia Loren


Foi como a primeira vez que li O Senhor dos Anéis.
Ou provei o primeiro Porto.
Quando senti o chocolate suíço dissolvendo em meu palato.
O primeiro minueto de Vivaldi.
Bach.
Jimi Hendrix em Woodstock.
Quando descobri que, após a chuva, às vezes surgem arco-íris. Às vezes.
Fogos-fátuos na madrugada.
Caminhar descalço na linha da maré.
O cheiro da chuva de pingo grosso no Rio de Janeiro, numa tarde de março.
A primeira vez que meus dedos encadearam a correta progressão de acordes para tocar “Wave” no violão de cordas de nylon.
O primeiro Tarantino.
O momento em que meu olhos se abriram para a beleza de apenas percorrer a estrada,
Esquecendo o destino.
Eu tento evocar sensações de prazer que se equiparem à que tive quando me quedei, estupefato, diante d’A primeira vez que vi Sophia Loren.
Visão?
Epifania descreve melhor.
Sophia é de uma era passada, quando desconfio que deusas esquecidas se tornavam de carne apenas pelo prazer de terem suas pegadas adoradas novamente.
E caminhavam pela terra, em um tempo e espaço só seus, absolutamente imunes à mediocridade humana.
Porque Sophia Loren é perfeita como presas de leão ou músculos de Tiranossauro, inacessível como a tundra siberiana ou o voo do falcão-peregrino, inexorável como um amor adolescente e irrefutável como Elvis dançando “Blue Suede Shoes”.
Sophia Loren é mais bonita que a Teoria da Relatividade.

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