A chegada da Primavera

Foto: Tatsuya Kurisu
Imaginei que, com o advento da Primavera, iria tropeçar em girassóis, aqui, ali, em todo lugar, como na canção dos Beatles.
Debalde. Em vão – vai, é o mesmo que “debalde”, que eu sempre quis usar. Mas divago na maionese.
Quêde lá girassóis? Que fim levaram todas as flores?
Não quero nem os girassóis da Rússia, com Sophia Loren e Marcello Mastroianni, quero os girassóis simples, mesmo, os que cresciam ostentosamente no terreno baldio da minha rua e que se apequenaram até desaparecer, vejam vocês.
É como se o desaparecimento dos girassóis fosse mais um plano para acinzentar e obnubilar os dias desse ano já tão obnubilado e estranho, estranho como as palavras “debalde” e “obnubilar”.
Mas eu não me dou por vencido: sei que as flores estão aconchegadas em algum ponto do solo, devidamente acolhidas, e apenas esperando um sinal misterioso da Mãe-natureza para eclodir em triunfo, talvez comemorando o final de tempos hard, muito hard.
E, enquanto não as contemplo em todas as dimensões, eu burlo os arquitetos do cinza buscando meus girassóis em outras fontes.
O importante é resistir à melancolia. Derrotar a tristeza. E dançar – dançar como Freddie Astaire na cara dos bad feelings.

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