22 de fevereiro de 2024
Colunistas Joseph Agamol

Vida é assombro

Viver é perplexidade.

Hoje, ao acordar e e olhar pela janela me surpreendi com uma pequena árvore iluminada por um único raio de sol.

Como se o Grande Arquiteto Cósmico a houvesse escolhido, sei lá por quais razões misteriosas do Seu plano, para receber um holofote – como uma estrela em uma peça no teatro dos planetas.

A árvore resplandeceu. Transfigurou-se.

Em poucos, pouquíssimos minutos, a cena se desfez.

Quase não pude registrar.

E eu nem consegui mais localizar a arvorezinha em seu lugar no pequeno bosque.

Quero dizer que devemos acordar à madrugada e pôr reparo em coisas que mais ninguém vê?

Fazer uma metáfora sobre as ações de D’us em nossas vidas, ao escolher um único raio de sol e enviá-lo em viagem de milhões de quilômetros pelo imenso Nada – até acariciar com delicadeza as pontas das ramas de um arbusto?

Não. Não há lições de moral, nem metafísica – “tirem-me daqui a metafísica!”, como bradava Álvaro de Campos/Fernando Pessoa.

Há, isto sim, a maravilha do fato de apenas uma pequena árvore alcançada, dentre milhões, pelos primeiros dedos do sol.

No mais, eu me permito o assombro diante do que, para os outros, talvez seja casual. Não é.

e lição há, que seja esta: A Vida é assombro e fenômeno eterno.

Viver é estado de perpétua perplexidade.

Joseph Agamol

Professor e historiador como profissão - mas um cara que escreve com (o) paixão.

Professor e historiador como profissão - mas um cara que escreve com (o) paixão.

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