4 de julho de 2022
Colunistas Joseph Agamol

Todos os dias acordo e penso: como eu posso ser um pouco mais Clint Eastwood hoje?

Foto: Martin Schoeller

E é justamente hoje que esse cara, que gravou em pedra as definições sobre o que era ser homem nos anos 60 e 70, faz 92 anos. Aliás, anos 60 e 70 nada! As definições de hombridade cristalizadas em Clint Eastwood estão mais atuais do que nunca, para nós que vivemos nos escombros morais da sociedade pós-moderna e da “geração-Lulu-da-Pomerânia”.

Clint simboliza e representa tudo aquilo que já foi um dia sinônimo de masculinidade: Bravura. Cavalheirismo. Dignidade. Respeito. Justiça. Honra. Palavras que só não caíram em total desuso graças ao que ele e outros do mesmo tope fizeram. Deveria ser obrigatório para esses pussy-boys de hoje assistir a alguns filmes do mestre.

Afirmo até que, se eu fosse ministrar um curso-antídoto contra a desconstrução da masculinidade dos meninos de hoje, ou tentasse ensinar a um garoto os princípios básicos do que é ser homem, esse seria um dos pilares: assistir, ao menos três vezes, cada um dos filmes abaixo.

A Trilogia dos Dólares. Os Imperdoáveis. As Pontes de Madison. Gran Torino.

Os filmes contém, bem explicadinho, todos os valores que citei antes.

Bravura. Cavalheirismo. Dignidade. Respeito. Justiça. Honra.

Tudo coisa fina, sinhá, que ninguém mais acha.

Vou além: Clint é o apóstolo da masculinidade dos nossos tempos. O cara que, com sua vida e sua obra, vem escrevendo, reescrevendo e atualizando os códices com as definições do que é ser um Homem. Não apenas um sujeito com um piu-piu no meio das pernas, como vários zés-ruelas acham que é ser homem, mas Homem na plena acepção do termo.

Ou seja, a reunião, em um mesmo indivíduo, de um conjunto de características de personalidade, raras até individualmente, que incluem tudo que eu disse ali em cima mas que nunca é demais repetir:

Bravura. Cavalheirismo. Dignidade. Respeito. Justiça. Honra.

Clint é tão icônico dessa forma de ser homem à moda antiga – e, ao mesmo tempo, tão moderna, ao menos como meta a ser mirada – que conheci uma penca de gente de todos os matizes ideológicos que sonhava em encontrar um exemplar dessa cada vez mais rara espécie.

Eu penso que deviam instituir que todo evento, postagem, lembrança, o que seja, ligado ao tal Dia do Homem – que no Brasil é insolitamente comemorado em julho, enquanto o resto do mundo comemora em novembro, aquelas coisas que só tem no Brasil, tipo coxinha, bolo de rolo e tomada de três pinos – devia obrigatoriamente ser associado à imagem de Clint Eastwood.

Vou mais longe: acho que esse dia deveria ser comemorado, no Brasil, em Timbuktu, Burkina-Faso, sei lá, no universo inteiro, no aniversário de Clint Eastwood.

Peraê: eu disse que o Dia do Homem devia ser comemorado no dia do aniversário do Clint? Coisa nenhuma: mudem logo o nome da efeméride para Dia do Clint Eastwood e oficializem a data como 31 de maio! Acreditem: é pouco, muito pouco diante do que devemos a ele.

Congratulations, Clint. E obrigado, cara. Muito obrigado.

Exista para sempre, por favor.

Todos os dias acordo e penso: como eu posso ser um pouco mais Clint Eastwood hoje?

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Professor e historiador como profissão - mas um cara que escreve com (o) paixão.

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