1 de julho de 2022
Colunistas Joseph Agamol

Hoje voltei para casa pela Serra do Mar

Foto: Joseph Agamol

E, como sempre acontece quando estou diante da presença imponente da natureza, penso.

Os humanos passarão, todos, em suas histórias e memórias, seus grandes feitos, suas mesquinharias.

E a Serra do Mar permanecerá, pelos séculos dos séculos, abrigo de animais poderosos e espíritos da floresta, devas protetores, elementais da terra, da mata, das águas doces, onças negras e pintadas, suçuaranas, maracajás, ariranhas, e seus suaves nomes de origem indígena.

A Serra do Mar triunfará, e pouco a pouco retomará as cidadelas abandonadas do bicho-homem: eu vejo a selva a enviar seus batedores, e trepadeiras e orquídeas treparão nos arranha-céus da Paulista.

Carros elétricos de luxo tornar-se-ão ninhos de tatus, e capivaras serão vistas às margens de águas agora límpidas do Tietê. Starbucks abrigarão mochos e corujas, os jaguares caçarão bugios nas florestas do Morumbi.

E a rainha harpia a tudo observando do alto do Viaduto do Chá.

Hoje voltei para casa pela Serra do Mar.

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Professor e historiador como profissão - mas um cara que escreve com (o) paixão.

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