2 de julho de 2022
Colunistas Joseph Agamol

Em honra ao sol de cada um

Foto: Phil Koch

Agora, que a hora mais escura da madrugada recue, e o amanhecer, antes mesmo que desponte, pressinta-se.

Porque a ausência de luz foi feroz e muitos de nós se renderam, de todas as formas que se pode render.

E rendição quase nunca é bonito de se ver.

Não, nunca se poderá olhar além dos ombros e rir do tempo selvagem que está partindo. Que haja respeito.

Há corações e mentes talhados de cicatrizes.

Sinta os cortes.

Mas alívio, e conforto, e ação de graças, sim, que haja.

Que se ouçam ásperos cânticos furiosos de vitória, e celebre-se em cada centímetro de terreno conquistado: o ouro é de alma e, como tal, vale muito mais e não pode ser tirado de quem o mereceu.

A névoa à estrada à frente se dissipa – e o mais magnífico de todos os sóis, de todos os sistemas estelares, galáxias e universos, conhecidos ou a porvir, brilha exatamente sobre ela, e dentro de cada um dos combatentes que agora, só agora, começam a emergir do pântano sombrio – em direção à Vida.

Essa reza, oração, ode, elegia, canto, poema e prosa é em honra ao sol de cada um.

Que brilhe. Que permaneça. Que proteja. Que ilumine. Acalente-o. Acolha-o. Guarde-o. Proteja-o.

Para que esteja pronto para ser desembainhado – para sempre e mais uma vez.

(Texto: Joseph Agamol )

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Professor e historiador como profissão - mas um cara que escreve com (o) paixão.

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