4 de julho de 2022
Colunistas Joseph Agamol

Bento

Eu caminhei a esmo pela cidade abandonada. Atrás das janelas podia ver os rostos mascarados dos que se escondiam. Ao longe ouvia o rumor de combates.

Eu tive medo, eu senti frio, minha alma com fome e meu coração exausto. Sobre meu ombro esquerdo, um dragão me oferecia canções inúteis e conselhos de meia estrada.

Foi quando o céu se rompeu.

E eu a vi, a Cruz plena, toda átomos de luz, numa onda celestial varrendo a cidade, tomando-a por inteiro, sendo carregada por legiões douradas de seres celestiais portando armamentos em prata, ouro e gumes aguçados.

O dragão tombou, dilacerando-se em mil estilhaços da luz branca, limpa, pura, seu veneno sendo purificado pelo solo sagrado a meus pés.

Os seres celestiais acamparam a meu redor, erguendo uma muralha de fogo e aço azul, impenetrável, e seu líder caminhou até mim, e caí de joelhos.

Ele me ergueu, mostrou-me um disco flamejante de prata polida, semelhante à uma pequena lua, e tão brilhante quanto, e fechou-o na minha mão.

Os símbolos e letras tatuaram-se em minha pele, e ele disse apenas, antes de desdobrar suas asas majestosas e erguer-se ao firmamento:

  • Ora et labora.

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Professor e historiador como profissão - mas um cara que escreve com (o) paixão.

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