21 de abril de 2024
Colunistas

As “granny girls” e o “cottage life”

Foto: megnlefevre

Não, amigos e vizinhos, “granny girls” não são vovós garotas – é justamente o contrário: garotas-vovozinhas. E cottage não tem nada a ver com o queijo.

Um belo dia mocinhas de 18, 20, 30 anos decidiram que não queriam se vestir e agir como jovens de hoje. Buscavam algo além da vulgaridade e da transitoriedade do mundo contemporâneo. Em vez do tríduo baladas-drogas-sexo fácil, optaram por uma vida mais regrada, baseada em valores, valores do tempo de suas avós: são moças que, comparando com a sociedade atual, sentem-se “velhas” – daí o nome “granny girls”.

São caseiras, se vestem com elegância vintage, apreciam livros e a estética de utensílios antigos – e são felizes assim, dessa forma quase underground.

O “cottage life”, ou “cottage core”, é um outro braço dessa filosofia: reúne pessoas que amam e buscam uma vida mais simples, preferencialmente longe dos centros urbanos, em um contato maior com a natureza, e mantendo um forte vínculo com o passado mais ou menos distante.

Me disseram que algumas pessoas que conduzem suas vidas baseadas em um ou outro movimento – ou ambos – podem ser portadoras de algum transtorno de personalidade. Acredito. Afinal, viver em meio à insanidade do mundo de hoje cobra um preço.

E, se de alguma forma as “granny girls”, abrigadas em seus refúgios “cottage”, encontram algum alívio, alguma paz e um pouco de felicidade diante do caos contemporâneo, quem sou eu para censurar?

Eu apenas as compreendo e admiro, por sua elegância simples e pela forma como escolheram não enlouquecer com os pequenos e grandes horrores do século 21.

Joseph Agamol

Professor e historiador como profissão - mas um cara que escreve com (o) paixão.

Professor e historiador como profissão - mas um cara que escreve com (o) paixão.

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