7 de julho de 2022
Colunistas Joseph Agamol

A estátua de Yeshua

Imagem: Google Imagens – anandamayeearte

Eu estudei, quando era bem criança, em uma escola que pertencia à igreja Nossa Senhora do Bonsucesso. Foi lá que entrei em contato, pela primeira vez, com os mistérios da fé.

Lembro até hoje a sensação de imponência, respeito e serenidade que tinha ao entrar no templo em estilo neogótico: parecia estar em um ninho, acolhedor e macio, um lugar para o qual desejamos voltar, seja em que circunstância for.

Eu não entendia quase nada do que era ensinado, mas captei a essência, creio: a sensação de proteção, de cuidado, de benquerência, de um amor, amor, de tal forma desmedido e inabarcável que só poderia ser compreendido em uma fração da sua magnitude através de epifanias – que me atingiriam algumas vezes na idade adulta.

A maior das impressões que o menino de 6 anos que adentrava, estupefato e respeitoso, no templo imerso em silêncio e sombras, era uma estátua de Yeshua em tamanho natural, posicionada em um dos nichos da igreja. Eu me assombrava diante do realismo da imagem, vestida com um manto azul e vermelho, sempre ornada com flores e que me encarava com seu olhar intenso e profundo.

Eu me sentia diante do próprio Yeshua ali.

Aquele olhar me acompanharia por toda a minha vida, ainda que eu não soubesse, por muitos e muitos anos. Aquele Amor me protegeria, me revestiria de ferro e aço contra tudo que estivesse em meu caminho: eu era um menino com um superpoder que desconhecia.

Aquele Amor me cercou, uma cerca-viva de rosas e garras, aquele Amor acampou seres poderosos à minha volta, aquele Amor tornou intransponíveis as fronteiras de meu corpo e minha alma, e o de todos que amo, aquele Amor me ensinou a dizer Chas veShalom.

E por tudo eu sou grato, e nesse Amor eu confio, e por ele torno-me sereno, forte e bravo.

Como o menino diante da estátua de Yeshua.

Era para ser um texto comum. Mas virou uma reza.

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Professor e historiador como profissão - mas um cara que escreve com (o) paixão.

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