14 de abril de 2024
Veículos

VW Polo Track, substituto do Gol, vale a pena?

Com vendas vitaminadas pelo incentivo (leia-se desconto nos impostos) dado pelo governo à compra de automóveis de até R$ 120 mil no Brasil, o VW Polo foi o veículo mais emplacado no Brasil em junho, superando a até então campeoníssima picape Strada da Fiat. O Track é a opção mais recente e barata do modelo e é sobre esse carro, que pude testar durante uma semana, que escrevo neste post.

A herança do Gol

O Polo Track foi criado com uma daquelas missões que os heróis dos filmes de ação recebem no começo de sua saga: substituir aquele que foi o modelo mais vendido no Brasil em toda a história, o também hatch compacto Gol. E isso não significa apenas preencher o, digamos, espaço afetivo deixado pelo modelo descontinuado em dezembro de 2022, mas também manter seu papel de carro de entrada da marca no mercado, atraindo os que seriam seus compradores.

Para isso, foi lançado com um preço equivalente ao do antecessor aposentado e, na tabela hoje estaria por R$ 82.290. Com o desconto temporário, foi vendido por R$ 74.990 em junho. E, como seria lógico, para fazer com que o Polo chegasse a esse “preço de Gol”, a VW mandou o modelo original para uma espécie de SPA, no qual foi aliviado de vários equipamentos e recursos. Mas, ainda assim, vale dizer que a dieta radical não privou esse Track de continuar a ser um Polo, tanto no visual, quanto na qualidade de construção (leia-se segurança) e bom espaço interno.

Na prática, quando comparado ao Gol, o Track (como toda a linha Polo) traz uma série de melhorias e avanços. Com entre-eixos mais longo e maior largura, oferece muito mais conforto aos ocupantes e, em especial, ao motorista, que também tem nele muito melhor ergonomia para guiar e controlar o carro. Conta também com quatro air-bags, frontais e laterais, controles de estabilidade e de tração e assistente de partida em aclives.

De resto, porém, a simplicidade e o uso de plásticos duros e outros materiais igualmente distantes de grandes sofisticações dita o pacote geral. E, nisso, o Polo Track segue a mesma receita das últimas séries do Gol. Faróis halógenos, nenhum cromado, rodas de aço… O interessante é que, com as calotas pintadas de preto, assim como as maçanetas, pedaços dos para-choques e a capa dos retrovisores, o resultado estético é bom até passa uma certa esportividade. Não custa lembrar que pintar detalhes assim de preto é um dos recursos usados pelas montadoras para diferenciar séries especiais de alguns de seus modelos.

O Polo Track também é simples por dentro

Você entra no carro e se percebe logo que está em um modelo “de entrada”. Os bancos são forrados em tecido básico, mas de toque agradável, com costuras em linha vermelha. Os da frente, aliás, são inteiriços, unindo encosto e apoio de cabeça em uma só peça – solução que foi, aliás, adotada em toda a linha Polo, herdada do saudoso subcompacto UP. Ainda assim, são razoavelmente confortáveis e, pelo menos para o motorista – ou para mim, como motorista – não cansam. Tirei essa conclusão depois de rodar por mais de duas horas, sem maiores problemas.

Central de multimídia, câmera de ré, alto-falantes na parte de trás? Necas. O sistema de som (opcional) é daqueles que encontrávamos há tempos nas versões de entrada da VW (lembra do Gol?), com rádio FM e, pelo menos, conectividade via bluetooth para que você possa ouvir a trilha sonora que levar no smartfone.

No (bom, mas sem ajustes) volante, os botões para acionamento desse sistema de som, assim como para usar o viva-voz do celular só estão presentes de você levar o rádio opcional do parágrafo acima. O custo do pacote é de R$ 900.

O painel frontal (tablier), assim como todos os demais são construídos no já mencionado plástico duro, em tom escuro, o que não quer dizer que seja feio. Se seu estilo é minimalista, ou “pós-bauhauss”, ele pode até se passar por contemporâneo. O mesmo vale para o painel de instrumentos, que exibe velocímetro e conta-giros analógicos e, novamente, faz com que você se lembre dos últimos Gol.

Entre esses mostradores há uma telinha em TFT monocromático, que mostra as informações elementares, como distância percorrida, prazo para a revisão, consumo etc. O ar condicionado tem comandos por botões, Fechando o pacote espartano, somente os vidros dianteiros têm acionamento elétrico – quem vai atrás tem de usar manivelinhas clássicas – e a regulagem dos espelhos retrovisores externos é feita “mecanicamente”, através de pequenas hastes.

E como anda o Polo Track?

Com etanol, o motor 1.0 aspirado de três cilindros desse Polo entrega 84 cv de potência e 10,4 kgfm de torque, e só pelos números já dá para perceber que a esportividade não está no pacote de série – nem tampouco como opcional. Se esse conjunto era capaz de fazer com que as versões mais simples do antigo UP fossem até ariscas, sob o capô do maior e mais pesado irmão Polo a coisa perde um pouco a graça. Ainda assim, como o torque já aparece de forma eficiente em baixas rotações, você nem sente falta de força no dia a dia urbano, no trânsito e em retomadas de velocidades, digamos, abaixo dos 60 km/h.

A compensação por esse temperamento comportado vem no consumo. Durante os meus pouco mais de 400 km de avaliação, misturando o trânsito do Rio (na maior parte do tempo) e alguma rodovia, o computador de bordo registrou a média de 13,5 km/litro. E, mesmo sem o tal do ímpeto, o Polo Track mantém velocidades médias em torno dos 100 km/h com facilidade – desde que não haja subidas muito acentuadas pelo caminho, o que obriga o motorista a fazer reduções de marcha.

O câmbio manual é nota 10

Eu sei que falar isso, hoje em dia, parece papo de nerd automotivo, mas foi justamente o câmbio manual de cinco marchas desse Polo Track o que mais me agradou, de longe, em sua condução. Ele parece um relógio suíço, tamanha precisão e facilidade de engates, com movimentos curtos e justinhos. E sua relação de marchas parece ser ajustada da melhor maneira possível com o que oferece o motor. Esse casamento faz com que, ainda que não seja um carro rápido ou nervoso, esse Polo de entrada seja gostoso de dirigir – pelo menos para motoristas meio “raiz”, como eu.

Na hora de fazer curvas, a estabilidade é suficientemente boa para passar confiança e previsibilidade. A suspensão é bem acertada e a direção elétrica responde bem, sem anestesiar demais as sensações do motorista. Juntando isso com um isolamento acústico eficiente – há forrações inclusive no porta-malas (que, aliás, comporta bons 300 litros de bagagens) abafando ruídos de lataria e coisas do gênero – e com pneus de perfil alto, o Polo Track é até macio para sua categoria.

Mas afinal, o Polo Track vale a pena?

No geral, essa versão de entrada do Polo mantém boa parte do que o modelo oferece em termos de comportamento dinâmico, sensação de dirigir, espaço e até de segurança passiva, boas características de seu projeto. Por outro lado, se pacote desidratado de itens de acabamento e de conforto o afasta sensivelmente das outras versões da linha – e, em particular, da que está logo acima dele, a MPI, que por menos de R$ 4 mil a mais, traz de série itens como faróis de LED, sistema de som com quatro alto-falantes e volante multifuncional com regulagem de altura e profundidade, entre outros.

Enquanto escrevo este post, em 14.7.2023, no site de ofertas da Volkswagen (https://ofertas.vw.com.br/modelos/novo-polo/1-0-mpi_14611) o Polo MPI está sendo oferecido pelo preço promocional de R$ 78.390 (seu preço normal no mesmo site é de R$ 86.390) que é pouco menos de R$ 4 mil do que é pedido no mesmo site pela versão Track (R$ 74.990, também em promoção). Ou seja, neste momento, o maior concorrente do Polo Track parece ser mesmo seu mano Polo MPI. Mas, se o Track realmente tiver um preço mais atraente em relação à concorrência (de a sua própria linha), ele pode, sim, se tornar uma opção bem interessante.

Fonte: Rebimboca Comunicação – Fotos por Henrique Koifman

Henrique Koifman

Jornalista, blogueiro e motorista amador.

Jornalista, blogueiro e motorista amador.

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