13 de junho de 2024
Veículos

Será que a (reformulada) Chevrolet Spin 2025 (ainda) vale a pena?

Test drive e análise com a minivan, quer dizer, Crossorver da Chevrolet, que acaba de ganhar retoques, recursos e equipamentos para se seguir no mercado.

Em 2021, a Chevrolet soltou um comunicado comemorando sua liderança absoluta no segmento de carros de passeio com sete lugares na década anterior. E já naquela época, festejar essa posição de campeão – ocupada pela Spin – parecia meio sem sentido. Afinal, durante quase todo esse tempo, o modelo praticamente não enfrentara concorrentes diretos, nem em termos de “espécie”, nem de preço. E, não por acaso, embora tenha muitas qualidades, o carro mudou muito pouco, desde seu lançamento em 2012. Agora, quando supostamente ela finalmente ganhou um rival à altura – o recente Citroën C3 Aircross –, a Chevrolet resolveu dar-lhe um belo “tapa” de atualização. Vamos ver isso neste post.

Apresentada já como modelo 2025, a Spin recebeu, mesmo, retoques bem visíveis. A começar pela dianteira, que ficou mais moderna, com um desenho que tem ingredientes em comum com modelos mais recentes da marca, como a picape Montana e a nova S-10, com grade maior, para-choque/spoiler com pegada mais esportiva e um novo conjunto ótico – os faróis agora são de LED, o que além do visual melhorou, e muito, a dirigibilidade à noite.

Na lateral , porém, há poucas alterações, limitadas a novas rodas e molduras plásticas nas caixas de rodas, enquanto, na traseira, lanternas e acabamentos foram renovados. No geral, as mudanças foram benéficas – aliás, tal como certas pessoas, a idade tem feito bem à Spin, ao menos em termos estéticos. Nascida como minivan (um tipo de automóvel que foi cancelado em nosso mercado), ela foi alçada a crossover e, agora, ganhou ingredientes para aproximá-la dos queridinhos SUVs.

Por dentro, as mudanças também são bem perceptíveis. A começar pelo novo painel digital, inspirado no da importada Silverado e que estreou na nova S-10. De boa visualização e com informações selecionáveis, ele é integrado à tela da central de multimídia, que fica loco ao lado, seguindo a receita da picape Montana.

Além disso, todos os materiais e acabamentos ganharam um ligeiro, digamos, upgrade. Ainda são dominantemente plásticos, mas têm aparência mais moderna. E agora há mais nichos e porta-trecos, todos com forração emborrachada, e a Spin ganhou uma saída de ar-condicionado para os passageiros do banco de trás. E até o volante multifuncional mudou: agora é o mesmo usado na (olha ela aí de novo) Montana e, também, na Tracker.

Nessa versão Premier, que você vê nas fotos e que foi a que avaliei, o revestimento dos bancos é em couro e há um carregador sem fio para smartfones. E, por fora, indução, bancos com revestimento premium, de 16 polegadas diamantadas, mais cromados na grade e pintura em preto no rack de teto. Mas o melhor do pacote dessa opção mais cara, e de sete lugares, é o conjunto de recursos de segurança: alertas de colisão traseira, de saída de faixa e de ponto cego; indicador de distância do carro em relação ao carro da frente e frenagem autônoma de emergência.

Dirigindo a Chevrolet Spin Premier 2025 por aí

Notaram que, ao longo dos seis parágrafos anteriores, eu não disse nada sobre a parte mecânica da Spin? Deixei essa parte para cá, quando colocamos o carro em marcha, porque, na prática, o motor e o câmbio desse modelo são os mesmos utilizados desde o seu lançamento. Assim como sua plataforma, que pouca gente lembra, mas é a mesma do já descontinuado (bom) sedã Cobalt.

Aliás, sugiro que, quem ainda não assistiu, assista aos três (!) vídeos que já fiz com a Spin para a TV Rebimboca, ao longo dos anos, nos links baixo.

Chevrolet Spin Active 2017

Test-drive com a Chevrolet Spin Active7 2019

Um test-drive de férias com a Spin LTZ 2019

Voltando à Spin 2025, ela usa um motor 1.8 flex que, para se enquadrar nas novas normas de emissões do Proncove para 2025, gera até 111 cv de potência e pouco menos de 18 kgfm de torque, acoplado a um câmbio automático de seis marchas. Câmbio que, aliás, também recebeu um pequeno ajuste, para ter trocas de marchas mais suaves – algo que, sinceramente, não percebi.

Ironicamente, esse conjunto é o responsável por boa parte das críticas que muitos fazem à Spin e, também, a muitos dos elogios que outros fazem a ela. Se você for perguntar, nove entre dez taxistas (percentual meramente especulativo) provavelmente vão mencionar justamente a robustez mecânica e o baixo custo de manutenção como um dos principais atrativos desse modelo – que, aliás, é um dos preferidos pelos profissionais da praça.

Com os tais ajustes, a Chevrolet diz que a Spin ficou até 11% mais econômica – o que lhe faz bem, pois esse é um dos pontos fracos de se usar um motor antiquado – e, segundo o Inmetro, agora consegue fazer, com gasolina, médias de 13,4 km/l na estrada e 10,5 km/l no trânsito urbano (são 9,3 km/l e 7,3 km/l, respectivamente, com álcool no tanque). E, de quebra, a marca diz que a Spin ganhou agilidade para acelerações e retomadas – isso deu para perceber, sim, embora esteja longe de ser uma mudança de água para vinho.

Agora sim, com a Spin em marcha

E aqui, bem acomodado ao volante da Spin, com uma boa posição para guiar – alta sem exageros e com uma visibilidade e alcance de todos os comandos acima da média – a gente entende porque ela é tão querida por motoristas profissionais. Dificilmente se encontra por aí outro carro que, oferecendo o mesmo – grande – espaço interno, seja tão fácil e prático de se conduzir no trânsito. E mais fácil ainda de se manobrar, sem stress – e com câmera de ré, claro.

Além disso, na maior parte do tempo, o rodar é macio e silencioso. Há torque suficiente em baixas rotações para a maioria absoluta das situações do dia a dia, e com isso, a serenidade impera. A coisa só fica mais ruidosa quando você é obrigado a pisar mais fundo no acelerador, para arrancar ou retomar com mais agilidade. Aí, o motor mostra sua idade, pois para se obter seu melhor desempenho, é preciso, mesmo fazê-lo falar bem mais alto que os atuais propulsores turbinados.

No mais, se não chega a provocar grandes emoções (para bem ou para mal) ao volante, a Spin esbanja, hum, simpatia, reagindo como se espera, sem oscilar demais – o que seria até esperado para sua altura – e se comportando de maneira neutra quase que o tempo todo.

Do banco de trás – onde levei convidados para um passeio longo –, não ouvi reclamações. O espaço para as pernas de todos é bom e os bancos, mesmo não tendo um desenho tão sofisticado, acomodam bem e não cansam. Isso na fileira do meio, claro, porque a terceira, lá no fundo, oferece lugares compatíveis apenas para crianças. Nem só pelo espaço em sim, mas também pelo acesso.

E então, a Spin Premier 2025 (ainda) vale a compra?

Por cerca de R$ 145 mil nesta versão Premier – e há outras opções, a partir de cerca de R$ 120 mil –, a despeito da idade de seu projeto, sim, a Spin (ainda) é uma boa opção. Não por acaso, conversando com um dos responsáveis pela concessionária Chevrolet em que retirei e devolvi o carro, fiquei sabendo que havia até uma razoável lista de reservas feitas para o modelo, que estava começando a ser entregue na loja naquela semana. A grande maioria delas, provavelmente, em nome de taxistas e outros que utilizam o carro profissional e intensamente.

E aí, finalmente, menciono o recém chegado Citroën C3 Aircross, que também oferece opção de sete lugares e tem preços próximos (até mais baixos, em alguns casos) que os da Spin. Ele é citado como concorrente direto do modelo da Chevrolet, tendo entre seus (bons) argumentos de venda a modernidade de seu projeto. Pode ser. Sendo sincero (como sempre), ainda não pude avaliar esse SUV compacto, mas, independentemente de suas prováveis qualidades, acho improvável que ele vá roubar, de forma expressiva, o mercado da Spin.

O simples fato de oferecem opcionalmente sete lugares não me parece igualar os dois em proposta. E, pode ser mera impressão, não consigo imaginar que, um dia, a quantidade desses Citroën, pintados de amarelo java com faixas em azul, e usando “bigorrilhos” no teto, chegue perto de efetivamente rivalizar com o Spin. Quando for substituído, suspeito que seus sucessores sejam modelos híbridos ou mesmo elétricos, já um passo à frente. Enquanto isso não acontece, a Spin segue sua saga “highlander” (para quem não lembra, esse é o nome de um personagem imortal, um guerreiro imortal que atravessa os séculos, se adaptando minimamente à realidade de cada tempo.

Tá, há mesmo um certo exagero em atribuir tanto heroísmo à Spin. Mas que ela tem resistido, isso tem. E com esse novo banho rejuvenescedor, é bem possível que permaneça entre nós por mais alguns anos.

Fotos de Henrique Koifman

Fonte: Rebimboca Comunicação

Henrique Koifman

Jornalista, blogueiro e motorista amador.

Jornalista, blogueiro e motorista amador.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *