24 de abril de 2024
Colunistas Fernando Fabbrini

Diretos de direita

O “outsider” argentino entra no ringue e bate forte.

Foto: Acir Galvão

Enquanto despenca a audiência de telejornais e comentaristas da TV – pautados, encoleirados e felizes pela volta das generosas verbas de propaganda do governo –, a internet vai bombando com boas surpresas. A entrevista de Tucker Carlson no X (antigo Twitter) com o deputado Javier Milei, candidato à Presidência da Argentina, alcançou 30 milhões de visualizações em menos de 12 horas.

Milei é um “outsider”; aquele tipo que surge eventualmente na política, tornando-a menos enfadonha. Figura carismática, exótica e que sabe socar o fígado da esquerda com precisão, ele aparece nas pesquisas com 54% das intenções de votos, contra 31% do candidato apoiado pelo peronismo e pela barafunda habitual das coalizões socialistas apavoradas com sua ascensão.

Javier Milei atribui sua popularidade aos fatos de ter sido jogador de futebol e cantor numa banda de rock. Modéstia: ele é um economista brilhante e profundo conhecedor das mazelas de seu país, qualidades reveladas nas análises e críticas impiedosas da turbulenta jornada argentina sob viés socialista. Só em agosto a inflação subiu mais 12,4% (a maior alta mensal desde 1991) e totalizou 125% no ano – enredo perfeito para um tango dos mais trágicos.

O Estado continua populista e incompetente, lotado de apaniguados admitidos a rodo – como no Ministério das Mulheres, que, segundo Milei, “até hoje, só pintou bancos de praça de cor-de-rosa e lançou músicas louvando o feminismo.” E provocou: “um ministério só para as mulheres não seria uma forma de tratá-las como seres inferiores?”

As questões colocadas pelo talento de Tucker Carlson saciam nossa sede de um jornalismo inteligente, decente e imparcial, virtudes raras hoje no Brasil. Boas perguntas, boas respostas: Javier Milei pôde esclarecer suas posturas contra o aborto (“todo médico sabe que a vida começa no momento da fecundação”; “a mulher é dona de seu corpo, mas um bebê é outro corpo. Logo, o aborto é um assassinato agravado por um diferencial de forças, o bebê não pode se defender”). Na conversa, Milei cutucou também a China, Putin e seu conterrâneo mais ilustre, recordando os afagos do pontífice aos ditadores Fidel, Raúl Castro e Maduro. Na semana passada, ao “The Economist”, também chamou o atual presidente brasileiro de “socialista com vocação totalitária”.

Uma observação de Carlson sobre a degradante arquitetura de novas áreas de Buenos Aires deu a Milei chance de ironizar a preferência da esquerda pela frieza do concreto, a mediocridade dos projetos, a padronização insossa e a impessoalidade das construções. Lembrei-me logo da Brasília de Niemeyer comunista e dos deprimentes prédios massificados que vi na antiga Berlim Oriental, cenários de vidas tristes e oprimidas. Milei ponderou que a beleza do Teatro Colón é um dos símbolos perfeitos da Argentina liberal e gloriosa de outrora. E que as obras dos governos de esquerda são esteticamente insípidas, burocráticas, feias – exatamente sintonizadas com a pobreza que o socialismo promove e da qual se alimenta.

“Não se deixem seduzir pelo canto enganoso das sereias da ‘justiça social’, a isca favorita do socialismo. Dívida pública alta, aumento da criminalidade, populismo, censura, desordem econômica e até feiura: onde se instala, o socialismo é um fenômeno violento, assassino e empobrecedor” – foi o golpe final de Milei para nocautear opositores.

As eleições argentinas serão em outubro, e aí veremos se Javier Milei terá seu combate aplaudido nas urnas. Vale lembrar que, para os cargos de presidente, vice-presidente, senadores e deputados, eleitores usarão cédulas de papel; nada de urna eletrônica. Motivos não devem faltar.

Fonte: O Tempo

Fernando Fabbrini

Escritor e colunista de O TEMPO

Escritor e colunista de O TEMPO

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